Depois de mais de 20 anos de debates e indefinições, o edifício da antiga Escola Cantina Salazar, situado em Santa Comba Dão, prepara-se para iniciar uma nova fase na sexta-feira à tarde. O espaço, que remonta aos anos 40 do século XX na terra natal de António Oliveira Salazar, foi transformado no Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência, com coordenação científica da Associação Ephemera, fundada por Pacheco Pereira.
A iniciativa pretende afastar receios e controvérsias que acompanharam o projeto ao longo de várias lideranças autárquicas. De acordo com a autarquia local, o objetivo principal é apresentar a história de forma isenta, promovendo a reflexão e o estudo sobre o período ditatorial e as respetivas formas de oposição, sem ceder a cultos ou a visões unilaterais.
Superação de resistências e foco na imparcialidade
A concretização do projeto exigiu vontade política para ultrapassar o ruído gerado em torno da iniciativa. Os receios de que o local pudesse funcionar como um espaço de exaltação ao antigo ditador foram desmentidos pela liderança municipal, que reforçou a necessidade de criar um ambiente dedicado ao debate plural e à investigação académica.
O trabalho desenvolvido procurou evitar precipitações, integrando contributos e reflexões acumuladas ao longo de duas décadas. A execução recente contou com um esforço direto dos funcionários municipais, marcando o arranque de um espaço que ambiciona manter-se dinâmico e aberto à comunidade.
Estrutura, espólio e programação cultural
O centro cultural e histórico conta com uma programação regular focada em exposições temáticas, mesas-redondas e conferências. Entre as valências disponíveis encontram-se:
- Uma biblioteca temática equipada com espaço de consulta.
- Uma sala de exposição permanente com trabalhos do artista David Oliveira.
- Uma recriação fiel de uma sala de aula da época histórica.
Para o fim de semana inaugural, a programação aposta na exposição sobre a censura e em iniciativas culturais que valorizam as tradições locais do concelho inserido no distrito de Viseu. A oferta artística inclui atuações musicais inspiradas no património imaterial e na obra de figuras como Zeca Afonso.
Memória local e novas perspetivas para o turismo
O regresso ao edifício histórico desperta memórias em antigos alunos que ali estudaram, transformando antigas salas de aula e refeitórios em áreas de partilha cultural e auditórios. A comunidade local e os operadores turísticos anteveem um impacto positivo no desenvolvimento regional, atraindo visitantes, investigadores e estudantes interessados em aprofundar o conhecimento sobre o passado nacional.
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