Crescimento de Portugal: Comissão Europeia revisa projeções para baixo em 2026 e 2027

Crescimento de Portugal: Comissão Europeia revisa projeções para baixo em 2026 e 2027

A Comissão Europeia divulgou nesta quinta-feira, 21, suas previsões econômicas de primavera, trazendo uma revisão em baixa para o crescimento da economia portuguesa. As novas projeções indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal deverá crescer 1,7% em 2026 e 1,8% em 2027. Essa alteração reflete o impacto de uma série de choques inesperados que afetaram o país no início do ano, desde condições climáticas adversas até a volatilidade nos mercados de energia.

A desaceleração econômica, conforme apontado por Bruxelas, é atribuída principalmente às severas tempestades que assolaram Portugal em janeiro e fevereiro, somadas a uma acentuada elevação nos preços da energia em março e abril. O cenário global, incluindo o conflito no Irã, também contribuiu para a instabilidade, impactando diretamente o custo da energia e o sentimento econômico geral.

Choques Inesperados e a Desaceleração do Crescimento de Portugal

O relatório da Comissão Europeia detalha que a economia portuguesa enfrentou um período desafiador no início de 2026. As tempestades não apenas causaram danos materiais, mas também perturbaram atividades econômicas. Paralelamente, a forte subida dos preços da energia, influenciada por fatores internacionais como o conflito no Irã, exerceu pressão adicional. Como resultado, o sentimento econômico se deteriorou, e o crescimento do PIB desacelerou significativamente, passando de 0,9% em cadeia no quarto trimestre de 2025 para uma estagnação no primeiro trimestre de 2026.

As novas previsões da Comissão, de 1,7% para 2026 e 1,8% para 2027, representam uma queda em relação às estimativas de novembro do ano passado, que apontavam para 2,2% e 2,1%, respectivamente. É importante notar que essas projeções são mais pessimistas do que as do próprio Governo português, que, em seu Relatório Anual de Progresso de 2026 entregue a Bruxelas em abril, revisou suas estimativas para um crescimento de 2% para este ano.

Fatores de Recuperação e Desafios Futuros na Economia

Apesar do cenário de revisão em baixa, Bruxelas aponta para uma melhoria gradual do crescimento econômico em termos trimestrais ao longo do horizonte de previsão. Essa recuperação será impulsionada, em parte, pelas obras de reparação dos danos causados pelas tempestades e pelo pico esperado na utilização dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 2026. O PRR é visto como um motor crucial para o investimento público e privado, ajudando a compensar o sentimento negativo dos investidores no setor privado.

Contudo, os elevados preços da energia deverão continuar a ter um impacto negativo, especialmente no segundo trimestre de 2026. Para 2027, a expectativa é de uma recuperação mais robusta, beneficiando da utilização dos fundos estruturais da União Europeia e de uma melhoria generalizada do sentimento das empresas, o que pode impulsionar ainda mais o investimento e a atividade econômica.

Déficit Orçamental e Dívida Pública: Um Olhar de Bruxelas

No que tange às contas públicas, a Comissão Europeia adota uma postura mais cautelosa que o Governo português. Bruxelas antecipa que Portugal passará de um excedente para um défice de 0,1% do PIB em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027, assumindo a manutenção das políticas atuais. Esta projeção contrasta com a do Governo, que prevê um saldo orçamental nulo para este ano.

A queda prevista no saldo orçamental reflete o impacto das medidas de apoio governamental implementadas em resposta às tempestades de janeiro e fevereiro, bem como as reduções nas taxas de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares e coletivas. A Comissão Europeia também alerta para riscos relacionados à fragilidade financeira de empresas estatais e às contingências de passivos de parcerias público-privadas. Em relação à dívida pública, a trajetória de redução deverá continuar, embora a um ritmo mais lento, atingindo 87,6% do PIB em 2026 e 86% em 2027, impulsionada por excedentes primários e diferenciais favoráveis entre crescimento e taxas de juro. Para um panorama mais amplo das pressões econômicas em Portugal, veja também como Bruxelas reconhece pressão máxima nos preços das casas em Portugal.

Inflação em Aceleração e Perspectivas para os Preços

A inflação em Portugal deverá acelerar para 3% este ano, impulsionada principalmente pela subida dos preços da energia. No entanto, a expectativa é que esse ritmo diminua para 2,3% em 2027. A inflação, medida pelo índice harmonizado de preços, já havia acelerado de 2,2% em 2025 para 2,7% em março de 2026, com a forte subida dos preços internacionais dos combustíveis sendo o principal fator.

Apesar disso, os preços grossistas da eletricidade em Portugal permaneceram comparativamente baixos, beneficiando do elevado nível das reservas de água e da grande quota de energias renováveis na produção nacional. A Comissão Europeia prevê que a inflação geral atinja o pico no segundo trimestre de 2026 e diminua gradualmente depois disso, com o aumento dos preços da energia tendo um efeito moderado e desfasado nos bens e serviços intensivos em energia. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, deverá crescer a um ritmo mais lento, estabilizando em 2,4% tanto em 2026 quanto em 2027.

Acompanhar as projeções e os fatores que moldam a economia portuguesa é fundamental para entender os desafios e as oportunidades que se apresentam. O Mais 1 Portugal mantém o compromisso de trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas, cobrindo os mais diversos temas que impactam o dia a dia dos nossos leitores. Continue conosco para se manter sempre bem informado.

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