Crise econômica e denúncias de corrupção colocam governo de Javier Milei sob pressão na Argentina

que esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológic

Desafios econômicos e a fragilidade do modelo ultraliberal

O governo do presidente Javier Milei atravessa um dos períodos mais críticos desde que assumiu o comando da Casa Rosada, em dezembro de 2023. A gestão ultraliberal, que construiu sua base de apoio sobre a promessa de austeridade fiscal e combate à inflação, enfrenta agora uma combinação preocupante de indicadores negativos. Após um período de otimismo com a desaceleração dos preços, a inflação voltou a ganhar fôlego, atingindo 3,4% em março de 2026, o que forçou o próprio mandatário a admitir publicamente que os dados econômicos recentes são desfavoráveis.

Além da pressão inflacionária, a atividade econômica argentina registrou uma retração de 2,6% em fevereiro na comparação mensal, com um acumulado de queda de 2,1% nos últimos 12 meses. O setor industrial é um dos mais afetados, apresentando uma baixa de 4% no mesmo mês e um declínio alarmante de 8,7% no acumulado anual. Para especialistas, como o professor de economia da FGV-SP, Paulo Gala, o plano econômico atual é considerado simplista e insuficiente para reverter o cenário herdado, alertando para o risco de uma desindustrialização severa e uma possível crise cambial.

O desgaste da imagem pública e a promessa anti-casta

A crise de popularidade de Milei não se restringe apenas aos números da economia. Escândalos de corrupção envolvendo membros do alto escalão do governo têm corroído a base de sustentação do presidente. A investigação sobre o suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete, Manuel Adorni, tornou-se um símbolo do desgaste da gestão. O funcionário é questionado por gastos em viagens de luxo e transações imobiliárias que, segundo críticos, seriam incompatíveis com sua renda declarada.

Pesquisas recentes, como a realizada pela consultoria Zentrix, apontam que cerca de 66,6% da população sente que o pacto “anti-casta” foi rompido. Com índices de reprovação que chegam a 63% em levantamentos como o da Atlas Intel, o governo vê sua imagem de renovação ser colocada à prova. O cientista político Leandro Gabiati destaca que a corrupção passou a ser um tema central, superando preocupações tradicionais como o desemprego, o que fragiliza a narrativa original que levou Milei ao poder.

Tensões com a imprensa e o futuro político

Em um movimento que gerou críticas internacionais, a administração Milei restringiu, no final de abril, o acesso de jornalistas às dependências da Casa Rosada. A medida, que afetou cerca de 60 profissionais, foi interpretada por entidades de classe como um ataque direto à liberdade de imprensa. Embora o acesso tenha sido parcialmente restabelecido no início de maio, o episódio deixou marcas na relação entre o Executivo e os meios de comunicação, reforçando o clima de tensão política no país.

Apesar do cenário adverso, o governo ainda encontra respiro na desorganização da oposição, que até o momento não conseguiu se consolidar como uma alternativa política coesa para o eleitorado. Mesmo com a elevação da nota de crédito do país pela agência Fitch Rating, que trouxe um breve alívio aos mercados financeiros, o desafio de manter a estabilidade fiscal sem sacrificar o tecido produtivo argentino permanece como a grande incógnita para os próximos meses.

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