Descarga em antiga refinaria da Galp em Matosinhos sob mitigação e penalização.

Descarga em antiga refinaria da Galp em Matosinhos sob mitigação e penalização.

A Galp, gigante do setor energético, confirmou a ocorrência de uma descarga em uma infraestrutura desativada de sua antiga refinaria, localizada em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos. O incidente, que gerou preocupação ambiental, está atualmente em fase de mitigação, com a empresa assegurando uma “evolução favorável” e a ausência de riscos para a saúde pública. Contudo, a situação já resultou na abertura de um processo de penalização por parte das autoridades ambientais.

A confirmação veio em resposta a questionamentos da agência Lusa, após a denúncia de uma descarga poluente em um curso de água local no início de abril, noticiada pelo Jornal de Notícias. O episódio reacende o debate sobre as responsabilidades ambientais de grandes corporações, mesmo em instalações que já não estão em operação ativa.

A Resposta da Galp e as Operações de Mitigação

Em comunicado escrito enviado à Lusa, a multinacional Galp detalhou que a ocorrência foi detectada em uma infraestrutura que já não faz parte das operações regulares da refinaria, que foi desativada. A empresa enfatizou que as ações de mitigação estão em andamento, com um acompanhamento diário e em estreita articulação com as autoridades competentes.

“A Galp informa que a ocorrência detetada numa infraestrutura desativada da antiga refinaria de Matosinhos está em fase de mitigação, com evolução favorável. Mantêm-se no terreno operações regulares de contenção e limpeza”, afirmou a empresa. A prioridade, segundo a Galp, é garantir que o incidente não represente qualquer ameaça à população. “À luz da informação técnica disponível, não existe risco para a saúde pública”, reiterou a companhia, buscando tranquilizar a comunidade local.

As operações de contenção e limpeza são cruciais em casos de descargas poluentes, especialmente em cursos de água. Elas geralmente envolvem a instalação de barreiras para evitar a propagação da substância, a remoção mecânica do material poluente e, em alguns casos, o tratamento da água ou do solo afetado para restaurar o equilíbrio ambiental. A “evolução favorável” mencionada pela Galp sugere que essas medidas estão surtindo efeito.

A Denúncia, a Ação da Autarquia e as Penalizações

O incidente ganhou destaque público após o Jornal de Notícias reportar, em 04 de abril, que descargas poluentes provenientes da antiga refinaria haviam afetado um curso de água em Leça da Palmeira, deixando as águas da ribeira manchadas. A visibilidade do problema levou a uma rápida mobilização das autoridades locais.

A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, confirmou à Lusa que a autarquia sinalizou o ocorrido junto às autoridades competentes. A autarca foi enfática ao afirmar que se tratou “claramente de uma descarga que proveio das instalações da antiga refinaria”. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA), órgão responsável pela fiscalização e proteção ambiental no país, já está atuando no caso.

Segundo Luísa Salgueiro, a APA “está a tramitar o processo de penalizações à Galp”, o que significa que a empresa enfrentará as consequências legais e financeiras pelo descumprimento das normas ambientais. “Estão a ser exigidas responsabilidades por força desse incumprimento”, declarou a presidente da Câmara, sublinhando a seriedade com que o município e as entidades reguladoras encaram a situação. A tramitação de um processo de penalização envolve a investigação da causa, a avaliação dos danos ambientais e a aplicação de multas ou outras sanções previstas na legislação.

O Legado Industrial e os Desafios Pós-Desativação

A antiga refinaria de Matosinhos, que encerrou suas operações em 2021, representa um marco na história industrial da região e de Portugal. Embora sua desativação tenha sido um passo em direção a uma economia mais verde, ela também trouxe consigo o desafio de gerir o legado de décadas de atividade industrial. Infraestruturas desativadas, como a que originou a descarga, podem ainda conter resíduos ou apresentar vulnerabilidades que exigem monitoramento contínuo e manutenção rigorosa.

Incidentes como este sublinham a importância da responsabilidade ambiental corporativa, que se estende para além do período de operação ativa de uma instalação. Empresas como a Galp têm o dever de garantir a segurança e a integridade ambiental de seus antigos locais, prevenindo contaminações e remediando qualquer impacto que possa surgir. A comunidade local, por sua vez, espera transparência e ações eficazes para proteger o ecossistema e a saúde pública.

Este episódio serve como um lembrete da complexidade envolvida na transição energética e na desindustrialização de grandes complexos. A gestão de passivos ambientais é uma questão crítica que exige investimentos contínuos em tecnologia, monitoramento e planos de contingência robustos para evitar que o passado industrial se torne um problema para o futuro. Para mais informações sobre questões ambientais e energéticas em Portugal, consulte o portal do Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

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