A economia portuguesa deverá registrar um crescimento de 0,3% no terceiro trimestre em comparação com os três meses anteriores, alcançando uma alta homóloga de 2,5%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG e mostram um comportamento de desaceleração na atividade nacional em relação ao segundo trimestre.
De acordo com o levantamento, a previsão para o crescimento em cadeia é inferior em 0,6 pontos percentuais frente ao período precedente. Já na variação homóloga, a perda de ritmo apresenta-se mais moderada, fixando-se em uma retração de 0,1%.
Preocupações com a indústria e os veículos
Durante a apresentação dos resultados, Rafael Alves Rocha, diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), manifestou preocupação com os indicadores industriais recentes. O executivo destacou o aprofundamento da queda na produção da indústria em agosto, período em que houve uma contração de 3,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Entre os setores mais afetados, o dirigente apontou como particularmente grave o decréscimo de 34,5% verificado especificamente na fabricação de veículos automóveis e componentes. Essa contração acende alertas sobre o comportamento da cadeia produtiva e o impacto na balança comercial do país.
Desafios para o investimento e o orçamento
Olhando para o futuro próximo, o representante da CIP antecipa riscos consideráveis para o dinamismo econômico do próximo ano. A análise aponta que a previsão governamental de expansão do investimento privado em patamares superiores a 10% esbarra na realidade da conjuntura atual.
O cenário é agravado pelas diretrizes do documento orçamentário para 2027, que projeta uma forte redução de 31% no investimento público. Essa contração decorre diretamente do encerramento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que representará uma diminuição de 4.348 milhões de euros em comparação com o exercício de 2026.
“Não se vislumbra, na atual conjuntura externa e face à escassez de medidas de estímulo, como será possível que o investimento privado acelere, como o Governo prevê, para um crescimento de mais de 10% no próximo ano”, declarou Rafael Alves Rocha ao Dinheiro Vivo.
Perspetivas para o consumo e projeções anuais
Para o restante do terceiro trimestre, o barómetro aponta que o consumo privado poderá sofrer pressões decorrentes da alta nos preços dos combustíveis e do encarecimento dos custos de financiamento. Em contrapartida, os indicadores voltados ao investimento tendem a exibir alguma recuperação, impulsionados pela reta final de execução dos fundos europeus do PRR.
No último trimestre do ano, o panorama do consumo poderá receber um fôlego temporário com medidas de apoio à renda das famílias, como o pagamento de um suplemento extraordinário para pensionistas e o acerto retroativo nas tabelas de retenção do IRS programado para novembro. Com base nestes fatores, o painel conjunto da CIP e do ISEG projeta que o PIB nacional encerre o ano de 2026 com uma alta acumulada de 2,3%, situada em um intervalo previsível entre 2,2% e 2,4%.
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