O ministro da Fazenda e coordenador econômico do candidato à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dario Durigan, afirmou que a suspensão do pagamento de dívidas prometida por Flávio Bolsonaro é inviável. Durante o debate presidencial promovido por Band e Estadão, Flávio prometeu uma carência de seis meses para dívidas de pessoas físicas e de um ano para empresas, além de crédito facilitado. Segundo Durigan, nenhum governo conseguiria entregar tais promessas sem comprometer a estabilidade econômica do país.
Em entrevista recente, o ministro detalhou que a gestão federal aposta em alternativas estruturadas, a exemplo do programa Desenrola 3, voltado para mitigar o endividamento da população. A proposta envolve a compra de dívidas mais antigas junto às instituições financeiras de maneira responsável. A declaração reforça o posicionamento da equipe econômica sobre a necessidade de alianças estratégicas com o mercado para gerar impactos reais na vida dos cidadãos, evitando medidas consideradas ilusórias.
Críticas ao Perse e renúncia fiscal
Durante a avaliação das propostas da oposição, o titular da Fazenda criticou a intenção de retomar a política de renúncia fiscal no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, o Perse. O programa gerou um impacto superior a R$ 50 bilhões aos cofres públicos, beneficiando majoritariamente grandes corporações, como o iFood. Para o ministro, políticas amplas e com baixo rigor de controle abrem margem para ineficiências e desvios, exigindo cautela de quem prioriza a responsabilidade fiscal.
Alternativas para a jornada 6 por 1
Apesar das restrições fiscais, Durigan indicou que o governo estuda alternativas para viabilizar alterações na jornada de trabalho, incluindo o debate em torno do fim da escala 6 por 1. A intenção é criar mecanismos de adaptação para os pequenos empreendedores e setores mais afetados pelas mudanças. Entre as opções avaliadas estão linhas específicas de capital de giro e revisões de débitos considerados irrecuperáveis, com o devido envio de propostas de validação ao Congresso Nacional.
Sustentabilidade da dívida pública
O representante da pasta econômica também descartou riscos de calote na dívida pública brasileira, destacando que o endividamento está concentrado no mercado doméstico, nas mãos de cidadãos, empresas e instituições financeiras nacionais. Ele pontuou que a alta recente da dívida decorre principalmente do patamar elevado da taxa de juros definida pelo Banco Central, que atua com autonomia no atual governo. Saiba mais sobre o cenário econômico atual no portal oficial do Ministério da Fazenda.
Por fim, Durigan afastou cenários de recessão iminente, atribuindo o ritmo atual da atividade econômica a fatores externos e internos, como juros elevados, conflitos internacionais e eventos climáticos. A meta oficial permanece focada na contenção de gastos obrigatórios, na redução gradual dos juros e na retomada de um crescimento econômico sólido nos próximos anos.