As notas nas provas finais de 9.º ano de Português e Matemática registraram piora em relação ao período anterior, evidenciando um cenário de disparidade acentuada entre o ensino privado e o público. Uma análise detalhada divulgada pela agência Lusa, que examinou mais de 180 mil provas realizadas em 2025 e em 2024, aponta para um ligeiro agravamento do desempenho geral dos alunos do 3.º ciclo.
A média global de desempenho desceu de 2,91 valores para 2,87 valores, considerando uma escala de zero a cinco. Num universo de 1.043 estabelecimentos de ensino avaliados, apenas 25,2% alcançaram média positiva, de acordo com as estatísticas do Ministério da Educação. No ciclo anterior, esse patamar favorável abrangia 32,5% das escolas.
Desempenho desigual entre o ensino público e privado
A divisão entre as redes de ensino revela um fosso considerável nos resultados acadêmicos. Enquanto 83% das escolas públicas registraram média negativa, 82% das instituições privadas alcançaram média positiva nas avaliações nacionais.
Os colégios particulares voltaram a ocupar os primeiros lugares do ranking nacional. A liderança ficou com o Colégio de Nossa Senhora do Alto, localizado em Faro, que atingiu uma média de 4,26 valores. Nas posições seguintes destacam-se o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, o Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, no Porto, o Colégio Moderno, em Lisboa, e o Grande Colégio Universal, também no Porto.
Concentração geográfica e o peso do litoral
Os dados consolidados indicam uma forte concentração de excelência acadêmica no litoral e nos principais centros urbanos do país. Dos 10 estabelecimentos com as melhores médias, quatro situam-se no distrito do Porto, dois em Lisboa e dois em Braga.
A Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, surge como a primeira instituição pública da tabela, ocupando o 17.º lugar. As demais escolas públicas com melhores desempenhos também se concentram em capitais de distrito e cidades universitárias do litoral, com forte presença de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Aveiro.
Fatores socioeconômicos e o impacto na aprendizagem
Uma análise minuciosa da localização das instituições de topo revela que elas estão situadas em bairros habitados predominantemente por populações com escolaridade elevada e custos habitacionais expressivos. Exemplos incluem zonas como o Parque das Nações, Telheiras ou Alvalade, em Lisboa, e a Foz, no Porto.
Em contrapartida, as 10 escolas públicas com os piores resultados concentram-se na Área Metropolitana de Lisboa e na Península de Setúbal, regiões afetadas por desafios estruturais como a escassez de docentes. No Monte da Caparica, a Escola Básica do Miradouro de Alfazina registrou a média mais baixa do país, com 1,95 valores, inserindo-se em um território de vulnerabilidade social.
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