A grande final do 70.º Festival Eurovisão da Canção, um dos eventos culturais mais aguardados da Europa, está a ser disputada na Áustria, reunindo 26 países em uma noite de música, espetáculo e, este ano, também de significativas tensões geopolíticas. Enquanto a Finlândia, Austrália e Grécia emergem como os principais favoritos à vitória, a participação de Israel no concurso tem sido o epicentro de uma onda de contestação e apelos por sua exclusão, reverberando os conflitos no cenário internacional diretamente no palco da cultura popular.
Este ano, o festival não é apenas uma celebração da diversidade musical, mas também um espelho das divisões globais. A presença de Israel gerou um debate acalorado, com manifestações dentro e fora do recinto, e até mesmo boicotes de algumas nações, sublinhando como a arte e a política se entrelaçam em plataformas de grande visibilidade como a Eurovisão.
Eurovisão 70: palco de música e tensões geopolíticas
O Festival Eurovisão da Canção, organizado pela União Europeia de Radiodifusão (UER) desde 1956, é tradicionalmente um evento que transcende fronteiras, unindo milhões de telespectadores em torno da música. A 70.ª edição, que começou com 35 países, culmina com 26 finalistas, sendo dez selecionados em cada semifinal, além dos cinco países do grupo dos ‘Big 5’ (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) e o país anfitrião, a Áustria, que têm entrada direta na final.
A competição é conhecida por sua capacidade de lançar novos talentos e consolidar carreiras, oferecendo uma plataforma global para artistas de diversas origens. No entanto, a edição atual tem sido ofuscada por uma controvérsia que coloca em xeque o espírito de união do festival, evidenciando o poder da música como veículo para mensagens políticas e sociais.
A onda de protestos e o boicote à participação de Israel
A participação de Israel no concurso voltou a ser alvo de intensa contestação, com apelos crescentes pela sua exclusão. A principal razão para esta onda de protestos reside nos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, que se intensificaram desde outubro de 2023. Estes ataques resultaram na morte de pelo menos 72 mil pessoas e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
A gravidade da situação levou cinco países – Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia – a boicotarem o concurso. A Espanha, em particular, é um dos membros do grupo dos ‘Big 5’, que contribuem financeiramente de forma significativa para a produção do espetáculo, tornando seu boicote um gesto de peso e com impacto considerável na organização do evento. Este movimento de boicote reflete uma crescente insatisfação internacional com as ações de Israel e a percepção de que a plataforma da Eurovisão não deveria ser utilizada para “normalizar” a situação.
Segurança reforçada e a voz dos manifestantes na arena
Os protestos não se limitaram ao exterior do recinto. Durante a primeira semifinal, na terça-feira, a atuação do representante de Israel foi interrompida por gritos de “stop the genocide” (parem o genocídio), audíveis na transmissão direta. Em resposta, a emissora austríaca ORF e a União Europeia de Radiodifusão (UER) anunciaram a expulsão de quatro espectadores do recinto devido ao seu “comportamento desestabilizador”. Embora os gritos não tenham sido audíveis no vídeo oficial da atuação divulgado pela UER, o incidente sublinhou a tensão presente no evento.
Este não é um cenário novo para Israel na Eurovisão. Nas duas últimas edições, os representantes do país foram vaiados durante as atuações, e a edição de 2024, em Malmö, na Suécia, foi marcada por manifestações nas ruas e protestos na arena. Em 2023, confrontos entre manifestantes pró-Palestina e a polícia ocorreram em Basileia, Suíça, no dia da final. A situação escalou ainda mais em 2024, quando a participação dos Países Baixos foi cancelada após um “incidente” nos bastidores envolvendo a delegação de Israel. Na capital austríaca, Viena, ativistas pró-palestinianos realizaram um protesto com caixões, e manifestações adicionais foram planejadas para o dia da final, levando a um reforço significativo da segurança em toda a cidade, especialmente nas proximidades do Wiener Stadthalle, que acolhe o festival.
Finlândia, Austrália e Grécia despontam como favoritos ao título
Apesar das controvérsias, a competição musical segue seu curso, e as casas de apostas já indicam os favoritos. De acordo com a média calculada pelo ‘site’ eurovisionworld.com, especializado no concurso, a Finlândia, a Austrália e a Grécia lideram as projeções para a vitória.
- A Finlândia, que já venceu o concurso em 2006, é representada pela dupla Linda Lampenius x Pete Parkkonen, com a canção “Liekinheitin”. Linda é uma violinista renomada, e Pete é um cantor pop conhecido por sua participação no programa “Ídolos”.
- A Austrália, que nunca conquistou o título da Eurovisão, aposta na cantora, compositora e atriz Delta Goodrem. Com um histórico de colaborações com artistas como Celine Dion e Olivia Newton-John, Delta apresenta a canção “Eclipse”.
- A Grécia, vencedora em 2005, concorre com Akylas, um músico e compositor autodidata que ganhou notoriedade através de vídeos no TikTok. Sua canção “Ferto” busca trazer a segunda vitória para o país.
O top 5 dos favoritos é completado por Israel, com Noam Betten e a canção “Michelle”, e pela Roménia, representada por Alexandra Căpitănescu com “Choke Me”. A final, transmitida globalmente a partir das 21:00 locais (20:00 em Lisboa), pode ser acompanhada em Portugal pela RTP 1, RTP Mundo, RTP África e RTP Play.
Portugal e o caminho desafiador na competição europeia
Para Portugal, a jornada na 70.ª edição da Eurovisão chegou ao fim na primeira semifinal. Os Bandidos do Cante, com a canção “Rosa”, não conseguiram a qualificação para a grande final, marcando mais uma participação em que o país não avança para as etapas decisivas do concurso. A performance portuguesa, embora elogiada por sua originalidade e raízes culturais, enfrentou a forte concorrência de um campo de talentos diversificado e altamente competitivo.
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