O Banco Europeu de Investimento (BEI), uma das principais instituições da União Europeia, sediado no Luxemburgo, celebrou meio século de relação com Portugal. A ligação histórica do grupo com a economia portuguesa foi inaugurada em 1976, ano da aprovação da Constituição da República Portuguesa, com um primeiro empréstimo destinado a ajudar a erguer a Central Termoelétrica de Setúbal.
Desde então, o Grupo BEI já concedeu mais de 70 mil milhões de euros em financiamento ao país, num total de mais de mil projetos de investimento distribuídos por praticamente todas as áreas da economia, com destaque para infraestruturas, energias renováveis, inovação, transportes, ambiente e apoio a pequenas e médias empresas.
Meio século de impacto na economia nacional
O BEI atua essencialmente como um banco grossista, endividando-se a taxas de juro muito baixas e canalizando fundos através dos bancos comerciais parceiros. No entanto, em projetos de grande dimensão, a instituição concede financiamento direto. Em épocas de maior pressão nos juros, como crises financeiras e pandémicas, a instituição foi especialmente requisitada por oferecer condições mais vantajosas face aos preços de mercado.
Em 2025, o financiamento cresceu 43%, com recordes na habitação, no financiamento verde, nos transportes e na inovação, ascendendo a três mil milhões de euros, o equivalente a 4% do Produto Interno Bruto do país. O marco de cinco décadas é celebrado numa conferência no Ministério das Finanças, contando com a presença de figuras institucionais de relevo para debater o impacto acumulado e o futuro do financiamento europeu.
Dez projetos emblemáticos da cooperação europeia
Ao longo de cinco décadas, o investimento europeu moldou o território português em frentes essenciais para o desenvolvimento social e económico. Entre os marcos selecionados pela própria instituição encontram-se:
- Central Termoelétrica de Setúbal (1976): o primeiro empréstimo do BEI no país, avaliado em 35 milhões de euros, concedido dez anos antes da adesão oficial.
- Água e saneamento: um total de três mil milhões de euros aplicados em vários projetos, com destaque para 420 milhões destinados à Águas de Portugal entre 2015 e 2021.
- Ponte Vasco da Gama (1995): um financiamento de 300 milhões de euros para a segunda ponte sobre o Tejo, inaugurada em março de 1998.
- Metro do Porto: cerca de 800 milhões de euros aplicados em múltiplos empréstimos para consolidar a rede de transporte na Área Metropolitana do Porto.
- Reconstrução da Madeira (2010): 62,5 milhões de euros para recuperar infraestruturas regionais após as cheias severas.
Inovação, transição verde e o futuro do país
A presença do grupo estende-se também ao ensino superior, às energias limpas e à requalificação urbana. O campus da Faculdade NOVA SBE, em Carcavelos, recebeu 16 milhões de euros para um espaço com capacidade para 3200 estudantes inaugurado em 2018. Já no setor energético, o projeto WindFloat Atlantic obteve 60 milhões de euros para desenvolver o primeiro parque eólico flutuante da Europa continental a cerca de 20 quilómetros da costa de Viana do Castelo.
Outros marcos recentes incluem os 65 milhões de euros para o Plano Geral de Drenagem de Lisboa, além de grandes programas dedicados à habitação acessível e social, que somam milhares de milhões de euros entre 2025 e 2026. Para o futuro, o banco mantém o foco em novas prioridades estratégicas, como computação, cibersegurança e a avaliação de potenciais investimentos elegíveis na área da defesa.
Para continuar a acompanhar análises aprofundadas sobre economia, inovação e os grandes projetos que moldam o panorama nacional e internacional, continue navegando pelo Mais 1 Portugal, o seu portal de referência para uma informação rigorosa, contextualizada e sempre atualizada.