A derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026 marcará o encerramento de uma trajetória de 24 anos em cargos públicos para Flávio Bolsonaro (PL). O político carioca ficará sem mandato eletivo a partir de fevereiro de 2027, data em que se encerra o seu período como senador pelo Rio de Janeiro. Com a saída do Congresso Nacional, o parlamentar também perderá o foro privilegiado de que desfruta atualmente.
A confirmação do resultado ocorreu após a apuração conduzida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O petista obteve 64,3 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio terminou a disputa com 59,8 milhões, ou 48,21%. Até a posse dos novos parlamentares, o senador seguirá exercendo suas funções legislativas ordinárias em Brasília.
Trajetória política e mandatos anteriores
A carreira institucional do parlamentar teve início em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro aos 21 anos. Na ocasião, iniciou uma sequência de quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa fluminense. Em 2016, tentou expandir sua atuação para o Executivo municipal ao concorrer à Prefeitura do Rio, mas acabou derrotado. Dois anos mais tarde, em 2018, elegeu-se para o Senado Federal pelo então PSL.
Durante sua passagem pelo Senado, a segurança pública figurou entre as principais bandeiras políticas de sua atuação, período em que presidiu a comissão da Casa dedicada ao tema. Apesar da centralidade do assunto em seu discurso, sua produção legislativa registrou dois projetos transformados em lei, nenhum deles diretamente ligado à segurança. Nesse mesmo intervalo temporal, o patrimônio declarado pelo político passou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.
O impacto jurídico do fim do mandato
A perda do cargo parlamentar levanta debates sobre o futuro de investigações em andamento, embora a mudança de status não signifique a remessa automática de todos os procedimentos para a primeira instância. Em decisões recentes de 2025, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu que a competência da Corte pode ser preservada em situações de supostos crimes praticados durante o exercício do cargo e em razão das funções atribuídas.
O foro por prerrogativa de função visa resguardar autoridades contra eventuais pressões judiciais no exercício de suas atividades públicas. Sem essa prerrogativa, investigados passam a responder perante juízos de primeira instância, salvo nos casos em que o tribunal superior mantenha a jurisdição por conta da natureza dos atos investigados.
Investigações e apurações em curso
Atualmente, o senador é alvo de duas apurações mencionadas no Supremo Tribunal Federal. A primeira delas diz respeito ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Reportagens apontaram tratativas para um investimento milionário na produção junto a um ex-banqueiro, gerando questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos.
A segunda frente investigativa envolve relações com o advogado Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Análises de dados indicaram que o parlamentar figurava como usuário em uma conta bancária vinculada ao defensor. Os investigadores analisaram se o cadastro conferia acesso operacional ou indícios de participação societária, embora os citados neguem a existência de negócios conjuntos.
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