Preço das casas em Portugal dispara 16,8% e atinge média de 2.076 euros por metro quadrado

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O cenário da habitação em Portugal em 2025

O mercado imobiliário português encerrou o ano de 2025 com uma marca expressiva: o preço mediano dos alojamentos familiares transacionados subiu 16,8% em comparação com o ano anterior, fixando-se nos 2.076 euros por metro quadrado. Os dados, revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), consolidam uma trajetória de valorização que continua a desafiar o poder de compra das famílias e a alterar a dinâmica do setor residencial em todo o território nacional.

Ao longo de 2025, foram contabilizadas 164.677 vendas de imóveis. Este volume de transações ocorreu num contexto de pressão crescente sobre a oferta, onde o preço mediano apresentou uma subida de 4,3% apenas quando comparado ao trimestre anterior, encerrado em setembro. A tendência de alta reflete um mercado onde a procura, tanto interna quanto externa, continua a pressionar os valores de mercado para patamares historicamente elevados.

Concentração de valores elevados nas metrópoles

A valorização não ocorre de forma uniforme em todo o país. O INE destaca que o custo por metro quadrado supera a média nacional em sub-regiões estratégicas, com destaque para a Grande Lisboa, que lidera com 3.439 €/m2, seguida pelo Algarve (3.139 €/m2), Península de Setúbal (2.596 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2.500 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.305 €/m2).

Ao todo, 56 municípios registaram valores acima da média nacional. A disparidade torna-se evidente ao observar que, em zonas como a Grande Lisboa e a Península de Setúbal, a totalidade dos municípios apresenta preços superiores à média do país. Em contraste, o município de Lisboa isola-se no topo da tabela com 4.875 €/m2, seguido de perto por Cascais (4.550 €/m2) e Oeiras (4.187 €/m2), que também superam a barreira dos 4.000 euros por metro quadrado.

O impacto do perfil do comprador

O mercado imobiliário em 2025 também evidenciou um fosso significativo entre compradores nacionais e estrangeiros. Nos municípios com mais de 100.000 habitantes, o preço mediano pago por quem possui domicílio fiscal no estrangeiro é consistentemente mais alto. Em Lisboa, por exemplo, enquanto compradores nacionais pagaram 4.813 €/m2, o valor para investidores estrangeiros atingiu os 6.026 €/m2.

Esta dualidade de preços é observada também em cidades como Cascais, Oeiras e Porto. O fenómeno reforça a tese de que a atratividade internacional do mercado português mantém uma pressão constante sobre os preços, dificultando o acesso à habitação própria para uma parcela significativa da população local. A análise detalhada do mercado residencial sugere que, embora o volume de transações seja robusto, a acessibilidade permanece um desafio estrutural.

Diferenciais entre imóveis novos e existentes

A tipologia do imóvel também dita o ritmo da valorização. Em 23 dos 24 municípios com mais de 100.000 habitantes, os alojamentos novos foram transacionados a preços superiores aos existentes. A exceção notável foi a Amadora, onde os imóveis usados foram mais caros, atingindo 3.014 €/m2 contra 2.756 €/m2 dos novos.

Lisboa continua a deter o recorde de disparidade, com os imóveis novos a atingirem os 5.890 €/m2. Enquanto o setor tenta responder à procura com novas construções, o custo dos materiais e a escassez de terrenos em zonas urbanas densas mantêm os preços em níveis elevados. O quarto trimestre de 2025 fechou com 41.789 transações, sinalizando uma ligeira retração de 5,3% no volume de vendas face ao mesmo período de 2024, apesar da subida contínua nos preços.

O Mais 1 Portugal segue acompanhando de perto as movimentações do mercado imobiliário e as políticas públicas voltadas para o setor. Continue a ler as nossas atualizações para compreender como estas variações impactam o seu dia a dia e o panorama económico do país.

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