Famílias imigrantes recorrem a ajuda alimentar face ao custo de vida

Famílias imigrantes recorrem a ajuda alimentar face ao custo de vida

A subida acentuada do custo de vida em Portugal tem gerado sérias dificuldades financeiras para muitas famílias imigrantes, que se encontram na contingência de reduzir despesas essenciais com a alimentação e de procurar o apoio de instituições de solidariedade para equilibrar o orçamento doméstico mensal. A pressão inflacionária afeta de forma transversal vários setores da sociedade, mas atinge com maior intensidade as comunidades que sobrevivem com rendimentos mais baixos, pensões reduzidas e salários que já não acompanham a evolução dos preços no mercado nacional.

No jardim infantil Unidinhos de Cabo Verde, situado no Casal da Mira, na Amadora, a preocupação com a carência alimentar é uma realidade diária que mobiliza funcionários e auxiliares. Todas as segundas-feiras, o espaço funciona como ponto de distribuição de cabazes de alimentos para pessoas necessitadas, contando com o apoio logístico de doações regulares recolhidas junto de um hipermercado da região. Para muitos agregados familiares, estas entregas representam o alívio possível perante faturas elevadas de energia, água e habitação.

O peso do orçamento familiar na Amadora

As dificuldades vividas por dezenas de moradores na Amadora refletem um cenário de vulnerabilidade económica que afeta tanto cidadãos estrangeiros quanto nacionais. Entre as pessoas que recorrem regularmente ao centro infantil encontram-se mulheres de ascendência cabo-verdiana que vivem em Portugal há várias décadas, enfrentando agora o desafio de gerir despesas fixas incomportáveis com os poucos recursos de que dispõem.

Maria Natalina Lopes, de 53 anos, exemplifica esta realidade ao relatar que o valor recebido através da sua pensão se esgota rapidamente no pagamento da renda da casa, da eletricidade, da água e do gás, restando margem muito reduzida para compras no supermercado. Com problemas físicos decorrentes de uma vida inteira dedicada a trabalhos exigentes nas limpezas e na restauração, a falta de alternativas laborais empurra estas famílias para uma dependência cada vez maior de redes de apoio comunitário.

Desafios estruturais e impacto na habitação

A escassez de rendimentos suficientes para assegurar necessidades básicas como a alimentação e o vestuário agrava-se com o valor elevado das rendas nas áreas metropolitanas, um tema que tem motivado contestação pública e mobilizações sociais em várias cidades do país, incluindo protestos ligados ao direito à habitação e manifestações planeadas para coincidir com a realização de eventos de grande visibilidade, como a Web Summit.

Enquanto movimentos cívicos discutem estratégias de mobilização e mantêm protestos em praças públicas, como o caso registado no Rossio em Lisboa ou as divergências em torno de infraestruturas na autarquia do Porto, as famílias continuam a lutar no plano quotidiano contra a inflação. A subida do preço de bens alimentares elementares e de produtos essenciais como o gás obriga a escolhas rigorosas, nas quais a compra de carne ou peixe fresco passa a ser um luxo ocasional.

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