Uma complexa teia de alegações e denúncias emergiu na América Latina com a divulgação da investigação conhecida como Hondurasgate. O caso aponta para um suposto plano envolvendo os Estados Unidos, Israel e Honduras, com o objetivo de desestabilizar governos de orientação progressista na região. As revelações, baseadas em alegadas gravações de figuras políticas hondurenhas, lançam luz sobre táticas de desinformação e a busca por maior influência geopolítica.
No centro do escândalo estão supostas conversas entre o atual presidente hondurenho, Nasry Asfura, e o ex-presidente Juan Orlando Hernández. Os áudios indicariam uma articulação para disseminar notícias falsas contra líderes como Gustavo Petro, na Colômbia, e Claudia Sheinbaum, no México, gerando um clima de tensão e incerteza política que tem sido veementemente rejeitado pelas autoridades de Honduras.
Detalhes da suposta trama e os alvos da desinformação
A investigação, conduzida pelo Diario Red na América Latina e pelo portal Hondurasgate, detalha como o alegado plano visaria a aumentar a influência dos Estados Unidos e de Israel na região, contando com o apoio de Honduras. Os documentos e áudios divulgados sugerem que a estratégia incluiria a criação de uma unidade de jornalismo digital nos Estados Unidos, dedicada à produção e disseminação de conteúdo direcionado.
Entre os envolvidos na denúncia, além de Asfura e Hernández, são mencionados o presidente do Parlamento hondurenho, Tomás Zambrano, e a vice-presidente designada, María Antonieta Mejía. A trama ganha contornos mais específicos com a menção de Juan Orlando Hernández, que, em 01 de dezembro, foi anistiado pelo então líder norte-americano, Donald Trump, após ter sido condenado, em 2024, por um tribunal de Nova Iorque a 45 anos de prisão por tráfico de droga.
Um dos áudios mais reveladores traz Hernández supostamente pedindo a Asfura 150 mil dólares (equivalente a 130 mil euros) para alugar um apartamento nos Estados Unidos. O local serviria como sede para a tal unidade de jornalismo digital, cujo foco seria a publicação de informações sobre o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya (2006-2009), marido da atual presidente Xiomara Castro (2022-2026).
Asfura, cuja candidatura foi publicamente apoiada por Trump, teria respondido à solicitação de Hernández, prometendo uma transferência através da conta de um amigo. “Vamos ver se te podem entregar em dinheiro, mas explica-me, o que vamos fazer com isso, o que ganhamos?”, questionou Asfura, ao que Hernández teria replicado: “Vamos montar uma célula, Presidente, a partir daqui, dos Estados Unidos, informativa, para que não nos rastreiem lá nas Honduras”.
Repercussões políticas e o envolvimento de outras nações
A alegada trama não se restringe apenas a Honduras. O Presidente da Argentina, Javier Milei, também é citado em um dos áudios. Hernández teria afirmado: “Vai ser como um site de notícias latino-americanas. Tive um telefonema com o Presidente Javier Milei e foi um sucesso. Muito, muito, muito bom, e acho que, nesta altura, podemos fazer grandes coisas para toda a América Latina. Vêm aí alguns processos contra o México, vêm aí alguns processos contra a Colômbia e, o mais importante, contra as Honduras, contra a família Zelaya”.
A divulgação da investigação provocou reações imediatas. O presidente colombiano, Gustavo Petro, utilizou a rede social X para denunciar a situação, afirmando: “É assim que funcionam as redes da extrema-direita mediática. O dinheiro vem da cocaína e de Israel”. A declaração de Petro sublinha a gravidade das acusações e a percepção de uma articulação transnacional com fins políticos.
As reações dos envolvidos e a defesa hondurenha
Até o momento, Nasry Asfura não se pronunciou publicamente sobre o escândalo. Ele esteve recentemente nos Estados Unidos para reuniões com empresários e, posteriormente, na Costa Rica para a posse da nova presidente, Laura Fernández, mantendo silêncio sobre as acusações que pesam contra ele.
Por outro lado, o presidente do parlamento hondurenho, Tomás Zambrano, reagiu veementemente às denúncias. Em uma publicação no X, ele classificou as vozes atribuídas a ele nos áudios como falsas, descrevendo-as como uma “fabricação grosseira”. Zambrano argumentou que qualquer hondurenho familiarizado com sua voz reconheceria a falsidade, chegando a mencionar que algumas vozes “foram mesmo fabricadas com sotaque colombiano ou nicaraguense”.
“A burrice desta montagem é tão evidente que chega a ser cómica. No entanto, para pôr fim a este ridículo e evitar que continuem a distrair-nos dos verdadeiros problemas das Honduras, o Congresso Nacional acaba de aprovar o envio destes áudios para laboratórios especializados nos Estados Unidos”, declarou Zambrano. Ele também prometeu que, “assim que tivermos os resultados da perícia internacional, daremos imediatamente início às ações judiciais pertinentes contra aqueles que cometeram crimes contra a honra de vários hondurenhos”.
O Hondurasgate expõe não apenas uma suposta rede de desinformação, mas também a complexidade das relações políticas e a polarização ideológica na América Latina. As investigações e os desdobramentos futuros serão cruciais para entender a extensão e o impacto dessas alegações na estabilidade regional. Para continuar acompanhando as últimas notícias e análises aprofundadas sobre este e outros temas relevantes, mantenha-se conectado ao Mais 1 Portugal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, atual e contextualizada, abrangendo uma vasta gama de assuntos que impactam Portugal e o mundo.