A trajetória do felino mais influente do Reino Unido
Chegou a Downing Street em fevereiro de 2011 com uma reputação forjada nas ruas: um instinto apurado para a caça e uma personalidade resiliente. Larry, o Chief Mouser to the Cabinet Office, assumiu o cargo de ratoeiro-chefe sob a gestão do conservador David Cameron. O que começou como uma função prática de controle de pragas na residência oficial do primeiro-ministro britânico transformou-se, ao longo de mais de uma década, em um símbolo improvável de continuidade em meio ao turbilhão político de Londres.
Desde a sua chegada, Larry testemunhou a ascensão e queda de diversos líderes. Após a saída de Cameron, provocada pelo resultado do referendo do Brexit, o felino viu passarem pelo número 10 nomes como Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e, mais recentemente, Keir Starmer. Ao todo, o gato conviveu com cinco conservadores e um trabalhista, tornando-se a única presença constante em um cenário marcado por trocas frequentes de comando e incertezas institucionais.
Entre a diplomacia e as brigas de vizinhança
O cargo de Chief Mouser, embora remonte historicamente ao século XVI, ganhou contornos de celebridade global com Larry. O felino não apenas recepcionou chefes de Estado, como Barack Obama, mas também protagonizou momentos de tensão territorial, notadamente com Palmerston, o gato residente do número 11. Essas interações, muitas vezes capturadas pelas lentes dos fotógrafos que cobrem a política britânica, humanizaram a figura do animal, que aprendeu a manipular a segurança do local para garantir sua entrada e saída com um simples olhar.
A rotina de Larry é acompanhada diariamente por jornalistas que, entre a cobertura de crises governamentais, encontram tempo para oferecer agrados ao animal. Com 19 anos de idade — o que, em termos humanos, equivaleria a um nonagenário ativo —, ele se tornou uma estrela internacional, sendo pauta em veículos de referência como a BBC. Sua influência é tamanha que ele mantém uma conta ativa na rede social X, gerida por um colaborador anônimo, que comenta com ironia os bastidores do poder.
Incertezas políticas e o futuro de Larry
Atualmente, o Reino Unido enfrenta um novo período de instabilidade. O governo de Keir Starmer lida com críticas severas após a nomeação e posterior afastamento de Peter Mandelson, além de resultados eleitorais desfavoráveis em diversas regiões do país. A recente demissão do ministro da Saúde, Wes Streeting, que sinaliza intenções de disputar a liderança do Partido Trabalhista, coloca o país diante da possibilidade de uma nova troca de comando.
Para os observadores da política britânica, a presença de Larry em Downing Street serve como um lembrete irônico da efemeridade dos cargos humanos. Enquanto os primeiros-ministros chegam e partem, o gato permanece, observando a sucessão de crises e estratégias de poder. É muito provável que, em breve, Larry venha a conhecer o seu sétimo primeiro-ministro, consolidando ainda mais o seu posto como a figura mais longeva e estável da política atual em Londres.
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