Crescimento dos nascimentos e o papel da imigração
Portugal registou um aumento de 3,7% no número de nascimentos durante o ano de 2025, totalizando 87.764 nados-vivos. O dado, revelado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), aponta para uma mudança demográfica relevante: cerca de um terço destas crianças são filhas de mães estrangeiras, evidenciando o papel central da imigração na dinâmica populacional do país.
Este incremento no número de nascimentos ocorre num cenário onde a estrutura etária das mães permanece concentrada. A maioria dos nascimentos, cerca de 66,2%, provém de mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 34 anos. Em contrapartida, observa-se uma tendência de estabilização e ligeiro crescimento na maternidade tardia, com 32,1% dos bebés nascidos de mães com 35 anos ou mais.
Saldo natural e o desafio do envelhecimento
Apesar do aumento na natalidade, o saldo natural do país agravou-se, atingindo -34.053 em 2025, comparativamente aos -33.754 registados em 2024. Este fenómeno é explicado pelo aumento do número de óbitos, que subiu 2,9% face ao ano anterior, totalizando 121.817 mortes.
A Grande Lisboa destaca-se como uma exceção no panorama nacional. Pelo terceiro ano consecutivo, a região foi a única a apresentar um saldo natural positivo, com +414. Este dado reforça a concentração demográfica na capital e a sua capacidade de atrair população em idade fértil, contrastando com o envelhecimento acentuado noutras regiões do território português.
Indicadores de saúde infantil e nupcialidade
Um dos dados mais positivos do relatório do INE diz respeito à saúde neonatal. A taxa de mortalidade infantil registou uma descida, situando-se agora em 2,8 óbitos por mil nados-vivos, uma melhoria face aos 3,0‰ observados em 2024. Em termos absolutos, foram contabilizados 246 óbitos de crianças com menos de um ano, menos oito do que no período homólogo.
Paralelamente, o setor da nupcialidade também apresentou sinais de vitalidade. Em 2025, celebraram-se 37.714 casamentos em Portugal, um aumento de 1.081 em relação ao ano anterior. Deste total, 36.651 foram uniões entre pessoas de sexo oposto e 1.063 entre pessoas do mesmo sexo, mantendo a tendência de diversificação das estruturas familiares no país.
Perspetivas para o futuro demográfico
A análise dos dados de 2025 permite traçar um retrato complexo de Portugal. Enquanto a natalidade mostra sinais de recuperação, impulsionada em grande medida por cidadãos estrangeiros, o peso das mortes continua a pressionar o saldo natural. A longevidade e o envelhecimento da população residente permanecem como os grandes desafios estruturais para as políticas públicas de saúde e segurança social.
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