Polícia federal pede mais tempo para investigar financiamento de filme

Polícia federal pede mais tempo para investigar financiamento de filme

A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, produção centrada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi formalizado após o vencimento do prazo anterior, com a corporação justificando a necessidade de concluir perícias técnicas, analisar dados financeiros e obter informações por meio de cooperação internacional.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e organização criminosa. O foco central recua sobre o papel do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que teria assumido o compromisso de injetar cerca de R$ 134 milhões no projeto cinematográfico. Desse montante total negociado, US$ 12,3 milhões já haviam sido remetidos para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.

contradições e inconsistências apontadas em delação

Durante o andamento das apurações, os investigadores identificaram divergências significativas no depoimento prestado pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que firmou um acordo de delação premiada. Em seu depoimento oficial, o colaborador declarou que desconhecia o destino dos recursos enviados ao exterior e que não sabia que os valores seriam aplicados na produção do filme.

No entanto, a equipe da Polícia Federal encontrou uma carta-acordo apresentada pelo próprio delator que traz menções explícitas ao longa-metragem e estabelece um compromisso financeiro milionário. Além disso, a análise dos registros bancários revelou que R$ 12 milhões foram depositados na conta da empresa de Freixo por uma companhia ligada ao circuito financeiro de Daniel Vorcaro, transação realizada justamente um dia antes da primeira remessa internacional.

diligências pendentes e avanço das apurações

Com a prorrogação solicitada à Suprema Corte, os investigadores pretendem aprofundar a análise de dados obtidos de investigados-chave, como Fabiano Zettel e o próprio delator. Entre as medidas previstas no cronograma da Polícia Federal estão a realização de perícias contábeis detalhadas e a obtenção de documentos junto a empresas estrangeiras por meio de canais oficiais de cooperação jurídica internacional.

A corporação também planeja colher novos depoimentos de pessoas citadas nos autos, além de reavaliar o colaborador para esclarecer as divergências encontradas nos documentos apresentados. Paralelamente, a defesa do senador Flávio Bolsonaro solicitou acesso integral aos autos do inquérito, cabendo à relatoria no tribunal definir os limites e a extensão desse compartilhamento de informações.

O portal da Jovem Pan revelou anteriormente que mensagens obtidas pelos investigadores apontam a participação do parlamentar como interlocutor direto nas tratativas com o banqueiro. As conversas indicam cobranças de pagamentos e acompanhamento do projeto, enquanto a defesa do senador mantém a posição de que os valores envolvidos possuem origem estritamente privada.

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