DBRS mantém avaliação de crédito de Portugal e eleva perspetiva para positiva

DBRS mantém avaliação de crédito de Portugal e eleva perspetiva para positiva

A agência de notação financeira DBRS Morningstar anunciou nesta sexta-feira, 15 de maio, a manutenção do rating de Portugal em ‘A’ (elevado), um patamar que reflete a solidez da economia nacional. Mais significativo ainda, a perspetiva para o país foi melhorada de estável para positiva, um sinal claro de confiança na trajetória econômica portuguesa a médio prazo. Esta decisão é um reconhecimento da gestão fiscal prudente e da dinâmica de crescimento favorável que Portugal tem demonstrado, elementos cruciais para a atração de investimento e para a sustentabilidade das finanças públicas.

A melhoria da perspetiva é um indicador importante para investidores e mercados internacionais, sugerindo que a DBRS antecipa uma possível elevação do rating no futuro, caso as condições econômicas continuem a evoluir positivamente. Para um país como Portugal, com um histórico recente de desafios econômicos, a confiança das agências de rating é vital para garantir condições de financiamento mais favoráveis e para fortalecer a sua posição no cenário global.

Portugal e o papel das agências de rating na economia

As agências de notação financeira, como a DBRS Morningstar, desempenham um papel fundamental na avaliação do risco de crédito de países e empresas. O ‘rating’ atribuído é, essencialmente, uma nota que indica a probabilidade de um emissor de dívida honrar os seus compromissos financeiros. Para Portugal, um rating elevado e uma perspetiva positiva significam um menor custo de financiamento no mercado internacional, o que se traduz em menos dinheiro gasto com juros da dívida pública e mais recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestruturas.

Essa avaliação não é apenas um número; ela reflete a percepção de risco e a confiança dos mercados na capacidade do país de gerir suas finanças. Após anos de austeridade e reformas estruturais, a melhoria contínua nas avaliações de crédito de Portugal sublinha um caminho de recuperação e estabilização econômica que tem sido consistentemente reconhecido por estas entidades.

Fundamentos para uma perspetiva econômica otimista

A DBRS Morningstar justifica a mudança para uma perspetiva positiva com base em vários pilares sólidos da economia portuguesa. A agência destaca a expectativa de que o rácio dívida/PIB de Portugal continue a diminuir significativamente no médio prazo. Esta redução é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo uma gestão orçamental rigorosa e uma dinâmica de crescimento econômico robusta. Um rácio dívida/PIB em queda é um sinal de que o país está a tornar-se menos endividado em relação à sua capacidade de gerar riqueza, o que é fundamental para a sustentabilidade fiscal.

Além disso, as perspetivas de crescimento econômico no médio prazo são consideradas favoráveis. Este otimismo é sustentado por um mercado de trabalho forte, que contribui para o consumo interno e a arrecadação de impostos, e pelo impulso significativo dos fundos da União Europeia. Estes fundos, parte de planos de recuperação e resiliência, são cruciais para impulsionar investimentos em transição digital e energética, modernizando a economia. A política orçamental, amplamente favorável, também contribui para este cenário positivo, criando um ambiente propício ao investimento e à criação de emprego.

Desafios e riscos no horizonte econômico

Apesar do otimismo, a DBRS também aponta para desafios e riscos que podem impactar a trajetória econômica de Portugal. Um dos principais alertas é o risco de um conflito mais prolongado no Médio Oriente, que poderá ter repercussões na economia global e, consequentemente, na portuguesa, através de choques nos preços da energia e interrupções nas cadeias de abastecimento. Esta é uma preocupação que transcende as fronteiras nacionais e exige monitorização constante.

Internamente, embora o risco de um desvio significativo da postura orçamental prudente seja considerado “relativamente baixo”, a agência adverte que a manutenção de excedentes orçamentais “deverá tornar-se mais difícil ao longo do tempo”. Isso ocorre devido à intensificação das pressões estruturais sobre as despesas, nomeadamente as relacionadas com o envelhecimento da população – que exige maiores gastos com saúde e pensões – e com o aumento dos compromissos com a defesa. Estas são questões de longo prazo que exigirão decisões políticas complexas e estratégias de financiamento sustentáveis.

Em abril, o Governo português já havia ajustado a sua previsão para este ano, antecipando um saldo orçamental nulo. Esta revisão foi justificada pelo impacto das tempestades e do conflito no Irão nas contas públicas, conforme detalhado no relatório de progresso entregue a Bruxelas. Tais eventos demonstram a vulnerabilidade das projeções econômicas a fatores externos e a necessidade de flexibilidade na gestão orçamental.

Portugal no cenário das avaliações internacionais

A decisão da DBRS Morningstar não é um caso isolado, mas parte de um consenso crescente entre as principais agências de notação financeira. Esta é a segunda avaliação da DBRS este ano, sendo a primeira agência a pronunciar-se sobre a dívida soberana de Portugal em 2026, em janeiro. Outras agências de renome também seguiram uma linha similar: a S&P, em fevereiro, e a Fitch, em março, mantiveram a classificação de Portugal, mas igualmente melhoraram a perspetiva para positiva. Este alinhamento reforça a visão de que Portugal está no caminho certo para a consolidação fiscal e o crescimento sustentável.

Para mais informações sobre as metodologias de avaliação e os relatórios completos, pode consultar o site oficial da DBRS Morningstar.

A melhoria da perspetiva de Portugal pela DBRS Morningstar é uma notícia encorajadora, que reflete o trabalho contínuo na gestão econômica e as reformas implementadas. Contudo, os desafios persistem e exigem vigilância e adaptação. O Mais 1 Portugal continuará a acompanhar de perto os desdobramentos econômicos e políticos que moldam o futuro do país, trazendo análises aprofundadas e informação relevante para os nossos leitores. Mantenha-se informado com a nossa cobertura completa e contextualizada sobre este e outros temas que impactam a sua vida e o seu país.

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