Provedora de Justiça cobra urgência à PSP após carga policial em Lisboa e Porto

Provedora de Justiça cobra urgência à PSP após carga policial em Lisboa e Porto

A atuação das forças de segurança durante as manifestações pelo direito à habitação continua a gerar forte debate institucional em Portugal. A provedora de Justiça solicitou com caráter de urgência à Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública esclarecimentos e documentos detalhados sobre as operações realizadas na madrugada de domingo na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto.

As diligências ocorrem após a dispersão violenta de cidadãos que acampavam nesses locais para reivindicar melhores condições de acesso à moradia. A intervenção envolveu o uso de força e gerou dezenas de feridos e detidos, motivando reações imediatas de entidades fiscalizadoras e de diferentes forças políticas do país.

Cobrança de informações e prazos legais

No comunicado divulgado pela instituição, a provedora de Justiça, Luísa Neto, destacou que a força policial dispõe de um prazo regulamentar de 10 dias úteis para enviar os dados solicitados. Este novo pedido soma-se a uma solicitação anterior enviada em 16 de outubro, focada especificamente nos incidentes registrados na Praça D. João I, cujo prazo de resposta ainda está a decorrer.

A análise da instituição jurídica consistirá em avaliar se as ações adotadas pelas autoridades respeitam os limites constitucionais. O objetivo é confrontar os métodos operacionais aplicados no terreno com o direito fundamental de reunião e manifestação, protegido pelo artigo 45.º da Constituição da República Portuguesa.

Abertura de investigação pela IGAI

Paralelamente à atuação do provedorado, a Inspeção-Geral da Administração Interna determinou a abertura de um processo administrativo autônomo. A decisão surgiu na sequência da repercussão pública das notícias e das imagens divulgadas sobre os confrontos nas duas cidades, que resultaram em feridos entre os manifestantes e efetivos policiais.

O órgão fiscalizador explicou que o procedimento tem como finalidade apurar rigorosamente as circunstâncias e avaliar os procedimentos adotados durante as ações. Além disso, a entidade aguarda os relatórios solicitados à direção nacional da PSP e ao Ministério Público para cruzar dados sobre a intervenção que também havia motivado um inquérito judicial prévio.

Reivindicações e contexto dos protestos

As mobilizações que motivaram a forte resposta policial reúnem cidadãos em torno de pautas sociais urgentes relacionadas à crise imobiliária urbana. Entre as principais exigências dos grupos contestatários estão medidas estruturais para garantir moradia digna à população:

  • A reversão da atual legislação do arrendamento.
  • O fim imediato de demolições e despejos sem alternativas habitacionais.
  • Restrições à aquisição de imóveis residenciais por fundos de investimento.
  • A ampliação significativa do parque de habitação pública.

Segundo os dados oficiais divulgados pelas autoridades policiais, o balanço das ocorrências apontou dezenas de feridos e detidos por crime de desobediência. Por outro lado, as organizações responsáveis pelos acampamentos contestaram os números e relataram um cenário de violência generalizada contra pessoas que apenas exerciam o direito legítimo de protesto pacífico.

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