PS sinaliza abertura para discutir no Parlamento mudanças na lei de manifestação

PS sinaliza abertura para discutir no Parlamento mudanças na lei de manifestação

O secretário-geral do PS afirmou esta segunda-feira, 26 de outubro, à noite estar disponível para dialogar e promover eventuais alterações ao decreto-lei de 1974 que regulamenta o direito de manifestação. A posição surge após o desafio lançado pelo procurador-geral da República (PGR) para que a Assembleia da República reaja e amadureça o tema legislativo, afastando, para já, a necessidade de recorrer ao Tribunal Constitucional.

Interpelado em Braga pelos jornalistas, José Luís Carneiro indicou que o partido está pronto para colaborar no aprimoramento do instrumento jurídico, caso essa seja a vontade maioritária no hemiciclo. A declaração ocorreu antes da participação numa sessão temática sobre as contas públicas na sede da Federação Distrital de Braga do PS.

Posição do Ministério Público e debate jurídico

Amadeu Guerra desafiou a Assembleia da República a rever o diploma histórico que enquadra as manifestações no país. O responsável máximo do Ministério Público optou por afastar o pedido direto de fiscalização da constitucionalidade do decreto ao Tribunal Constitucional, sublinhando que as mudanças legislativas não devem ser ditadas pelo calor dos acontecimentos pontuais.

O magistrado salientou que a lei tem permanecido em vigor ao longo de décadas sem contestações generalizadas de inconstitucionalidade. Segundo a perspetiva apresentada, eventuais desconformidades constitucionais dizem respeito a contextos específicos e práticos, e não necessariamente ao texto original do diploma em si.

Repercussão das acampadas e intervenções policiais

O debate ganha fôlego na sequência das manifestações pelo direito à habitação que marcaram as últimas semanas em centros urbanos como Lisboa e Porto. As concentrações, que incluíram acampamentos prolongados, culminaram em intervenções da PSP marcadas por momentos de alta tensão e uso de força policial para dispersar os participantes.

As autoridades policiais agiram após ordens reiteradas para a retirada de tendas e desobediência por parte dos manifestantes, que invocavam a proteção constitucional do direito de reunião e protesto. As ocorrências resultaram em detidos, feridos e na abertura subsequente de inquéritos para apurar os contornos das ações da polícia.

Próximos passos institucionais e contexto político

Enquanto o cenário político e social continua mobilizado em torno da habitação e da atuação das forças de segurança, o parlamento aguarda o amadurecimento das posições partidárias. O PGR desafia parlamento a rever lei das manifestações e afasta recurso ao Tribunal Constitucional, deixando nas mãos dos deputados a iniciativa de reformulação normativa.

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