As receitas da publicidade em Portugal seguem em trajetória de expansão e deverão registar um crescimento de cerca de 4% até 2029, alcançando a marca de 1.441 milhões de euros. O movimento é impulsionado de maneira determinante pela consolidação do ambiente digital, que passa a concentrar a fatia mais significativa dos investimentos corporativos no setor.
A projeção foi detalhada durante a apresentação de um estudo voltado à análise da credibilidade dos meios de comunicação, realizado em Lisboa. O levantamento aponta que, já para o ano corrente, o mercado publicitário nacional deve movimentar 1.319 milhões de euros, pavimentando o caminho para a alta estimada até o final da década.
A transformação digital e o avanço das redes sociais
O ecossistema publicitário passa por uma transformação estrutural profunda no país. Em 2029, a perspetiva é que 64% de todas as receitas previstas tenham origem no setor digital, marcando um avanço expressivo de 19% em comparação com o patamar registado em 2020.
As redes sociais assumem o papel de principal motor desse crescimento na economia digital, embora surjam questionamentos internos quanto à eficácia real dessas campanhas devido à menor interação direta dos utilizadores com os anúncios. Ainda assim, o impacto no comportamento de consumo permanece evidente, com 42% dos consumidores a admitirem já terem efetuado compras influenciadas por conteúdos veiculados nessas plataformas.
O dilema entre credibilidade e retorno imediato
Especialistas da área apontam que, apesar de as empresas reconhecerem plenamente a seriedade e a credibilidade editorial dos meios de comunicação social tradicionais, o direcionamento de verbas para o digital ocorre pela busca de métricas de visibilidade e vendas de curto prazo.
As ferramentas digitais entregam aos anunciantes leituras imediatas de desempenho, um fator decisivo na alocação de orçamentos corporativos. Contudo, esse cenário convive com desafios complexos, como a proliferação de notícias falsas, a dificuldade do público em separar factos apurados de opiniões e a influência crescente dos algoritmos na distribuição de conteúdos.
Consumo de notícias e a confiança nos media
No campo do consumo informativo, os dados revelam que 62% dos inquiridos mantêm o hábito de acompanhar notícias diariamente, enquanto 59% elegem as fontes jornalísticas profissionais como o principal canal de acesso a informações confiáveis.
Os pilares que sustentam essa confiança pública residem na produção profissionalizada (54%), na transparência editorial (34%) e na solidez e reconhecimento histórico da marca (21%). O estudo destaca que a credibilidade funciona como um diferencial competitivo relevante para o país, situando o território nacional quinze pontos percentuais acima da média registada no restante da Europa no que tange à confiança nos media.
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