“Os dirigentes do Hamas que fazem parte da equipa de negociação não estão neste momento em Doha e, como sabem, deslocam-se entre diferentes capitais”, declarou o porta-voz do ministério, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha, que suspendeu há dez dias as suas atividades de mediação para alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O porta-voz do MNE qatari indicou que “o gabinete do Hamas em Doha foi criado para o processo de mediação” e acrescentou que “obviamente, quando não há processo de mediação, o gabinete não tem outra função”.
Negou, contudo, o encerramento daquelas instalações do grupo islamita palestiniano na capital do Qatar e sublinhou, perante os rumores sobre esta questão: “Se o gabinete do Hamas for obrigado a fechar permanentemente, ouvi-lo-ão nesta plataforma ou numa declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros”.
Na segunda-feira, o Governo turco desmentiu também rumores publicados na comunicação social de que o movimento islamita palestiniano teria transferido a sua direção para a Turquia, depois de, a 09 de novembro, o Qatar ter suspendido a sua atividade de mediador nas negociações entre Israel e o Hamas para pôr fim à guerra em curso há mais de um ano na Faixa de Gaza.
Al-Ansari esclareceu, então, que “as informações que circulam” sobre um hipotético encerramento do gabinete político do Hamas em Doha “não são verdadeiras”.
Também o Hamas desmentiu, no mesmo dia, que as autoridades do Qatar tivessem pedido aos seus líderes para abandonarem o país.
No início do dia de hoje, o porta-voz qatari reiterou que a decisão do seu país de suspender os esforços de mediação entre o movimento Hamas e Israel foi motivada pela “falta de seriedade das partes para chegar a um acordo”.
“O Qatar não aceitará continuar a ser explorado desta forma no âmbito do processo de mediação”, acrescentou Al-Ansari, sublinhando que o país anunciou, desde o primeiro dia, “a sua disponibilidade para fazer tudo o que fosse possível para diminuir a tensão” e pôr fim ao conflito.
Afirmou também que a decisão do Qatar de suspender o seu papel de mediador foi comunicada às partes em conflito dez dias antes de ser tornar efetiva, com uma condição: “Se não for alcançada uma solução e não virmos seriedade nesse sentido, a suspensão manter-se-á, mas no momento em que o Estado do Qatar sentir que há seriedade, não hesitará em assumir um papel de liderança para chegar a um acordo”.
O Qatar não mantém relações diplomáticas com Israel e, desde 2012, acolhe o gabinete político do Hamas em Doha, onde residem vários dirigentes políticos do grupo, como o seu antigo líder, Khaled Mishal, e o chefe da sua equipa de negociação, Khalil al-Hayya.
A Faixa de Gaza é cenário de conflito desde 07 de outubro de 2023, data em que Israel ali declarou uma guerra para “erradicar” o Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, matando cerca de 1.200 pessoas, na maioria civis.
Desde 2007 no poder em Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) fez também nesse dia 251 reféns, 97 dos quais continuam em cativeiro, 34 deles entretanto declarados mortos pelo Exército israelita.
A guerra, que hoje entrou no 410.º dia e continua a ameaçar alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza 43.972 mortos (quase 2% da população), entre os quais mais de 17.000 menores, e 104.008 feridos, além de mais de 10.000 desaparecidos, na maioria civis, presumivelmente soterrados nos escombros, de acordo com números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
Cerca de 90% dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza viram-se obrigados a deslocar-se, muitos deles várias vezes, ao longo de mais de um ano de guerra, encontrando-se em acampamentos apinhados ao longo da costa, praticamente sem acesso a bens de primeira necessidade, como água potável e cuidados de saúde.
O sobrepovoado e pobre enclave palestiniano está mergulhado numa grave crise humanitária, com mais de 1,1 milhões de pessoas numa “situação de fome catastrófica” que está a fazer “o mais elevado número de vítimas alguma vez registado” pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.
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