A agência de notação financeira DBRS Morningstar realiza nesta sexta-feira, 15 de março, a segunda avaliação do ano sobre a dívida soberana de Portugal. O mercado e os analistas consultados pela Lusa antecipam que a classificação de crédito do país seja mantida no patamar ‘A’ (elevado), um reconhecimento da solidez econômica portuguesa. Contudo, a grande expectativa reside na possível revisão da perspetiva, que pode sinalizar um futuro ainda mais promissor para a economia nacional.
Este tipo de avaliação é crucial, pois o ‘rating’ soberano impacta diretamente a capacidade de um país se financiar nos mercados internacionais, influenciando os custos de empréstimo e a confiança dos investidores. Para Portugal, a manutenção de uma classificação elevada reforça sua posição como um emissor de dívida credível e estável no cenário europeu.
A Importância do Rating ‘A’ para a Economia Portuguesa
Para Vítor Madeira, analista de mercados da Xtb Portugal, a expectativa é clara: “não é esperada qualquer alteração face à avaliação de janeiro, perspetivando-se a manutenção do ‘rating’ no patamar ‘A’ (elevado)”. Essa estabilidade, segundo ele, reflete um panorama macroeconômico alinhado com o início do ano, sem surpresas drásticas que justifiquem uma mudança imediata na nota.
A manutenção do rating ‘A’ sublinha o estatuto consolidado de Portugal enquanto país credível no contexto europeu. Um dos indicadores mais palpáveis dessa credibilidade é a capacidade do país de se financiar nos mercados a custos inferiores aos de economias consideradas maiores, como França, Espanha e Itália. Este cenário é um testemunho da recuperação e resiliência da economia portuguesa após os desafios da última década.
Análise de Especialistas e o Cenário Macroeconômico
A avaliação da DBRS não é um evento isolado, mas parte de um processo contínuo de monitorização da saúde financeira dos países. Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, também não antecipa uma alteração no rating, destacando que o contexto geopolítico global continua a ser um desafio significativo.
Apesar da estabilidade geral, o rácio da dívida em função do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal registou uma subida pontual para 91% no primeiro trimestre. Este dado, embora não alarmante, “exige da agência de ‘rating’ uma postura de monitorização”, indicando que a DBRS estará atenta às tendências futuras para garantir a sustentabilidade da dívida.
Desafios Globais e a Perspectiva de Inflação
O cenário internacional apresenta riscos que temperam o otimismo. O conflito com o Irão, por exemplo, introduziu uma nova camada de incerteza sobre os mercados energéticos e as cadeias de abastecimento globais. Esses fatores têm reflexos diretos nas expectativas de inflação, que, por sua vez, podem influenciar as decisões dos bancos centrais.
“Os números da inflação têm vindo a ser revistos em alta e os bancos centrais poderão mudar o posicionamento, o que é um risco relevante para o crescimento”, ponderou Filipe Silva. Essa volatilidade externa exige prudência por parte das agências de notação, que precisam equilibrar os bons indicadores internos de Portugal com as incertezas do ambiente global.
O Outlook de Portugal: Estabilidade com Potencial de Melhoria
No que diz respeito ao ‘outlook’ (perspetiva), o cenário base aponta para a sua manutenção em “estável”. No entanto, Vítor Madeira sinaliza que “os indicadores atuais já constroem uma base sólida para uma eventual revisão em alta no futuro”. A agência deverá adotar uma abordagem prudente, considerando os riscos externos em curso.
Contudo, uma surpresa positiva com uma revisão para perspetiva “positiva” não está descartada. Essa decisão poderia ser justificada pelo “cumprimento rigoroso da consolidação orçamental, resiliência macroeconómica, desemprego baixo e a resiliência do setor do turismo”. Filipe Silva corrobora essa visão, admitindo que pode existir “uma surpresa positiva e a uma mudança favorável”, tendo em conta que Portugal apresentou um excedente orçamental em 2025 e continua a registar uma redução do rácio da dívida pública. “Resta perceber em que medida o conflito atual e a inflação poderão impactar negativamente o crescimento económico em Portugal”, concluiu.
O Contexto das Avaliações Anteriores
A DBRS foi a primeira agência de notação financeira a pronunciar-se sobre a dívida soberana de Portugal este ano, mantendo o rating em ‘A’ (elevado) e a perspetiva estável em 16 de janeiro, alertando para os riscos que o crescimento da economia enfrenta. Posteriormente, outras agências também se manifestaram.
Em fevereiro, a S&P manteve a classificação, mas melhorou a perspetiva para positiva. Em março, a Fitch seguiu o mesmo caminho, mantendo a classificação e melhorando a perspetiva para positiva. Essas decisões das outras agências criam um precedente e aumentam a expectativa sobre a DBRS, que tem sido historicamente mais conservadora em suas projeções para Portugal.
Para mais informações sobre as avaliações de crédito, acompanhe as notícias sobre as agências de notação financeira. Fitch decide hoje sobre ‘rating’ de Portugal e deve manter classificação.
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