A jogadora Tifanny Abreu obteve uma importante decisão favorável no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), assegurando o direito de participar de competições organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A ponteira havia sido anteriormente retirada pelo órgão esportivo da relação oficial de atletas do Osasco com inscrição deferida, após uma tentativa frustrada de revisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
A liberação para a Supercopa e Superliga
Com a liminar concedida pela Justiça comum, a atleta está autorizada a entrar em quadra inclusive na noite desta sexta-feira (16) para disputar a Supercopa contra o Praia Clube. Além disso, a decisão estende a permissão para a participação na Superliga Feminina 2026/27. A medida judicial foi protocolada pela defesa da jogadora, representada pelo advogado Luiz Fernando Novaes, logo após o esgotamento das vias desportivas.
O magistrado Antonio Luiz da Fonseca Lucchese avaliou que a remoção repentina da atleta poderia causar danos irreparáveis à sua trajetória profissional. Na avaliação do juiz, preservar a participação temporária da jogadora não gera um impacto inédito ou irreversível para a entidade esportiva, ressaltando contudo o caráter provisório da medida jurídica e do processo no STJD.
Os argumentos da decisão judicial e as regras da CBV
Em trecho destacado da decisão, o magistrado pontuou que manter o cenário anterior — que vigorou por quase uma década — é uma alternativa consideravelmente menos drástica do que impor o afastamento imediato antes de uma análise aprofundada do mérito. A determinação judicial estabelece ainda uma multa de R$ 5 mil para a CBV a cada partida em que a atleta seja impedida de atuar, além de proibir sanções ao Osasco, como perda de pontos ou W.O.
Vale ressaltar que a liminar não anula a diretriz recente anunciada pela CBV, estabelecida em alinhamento com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Vôlei (FIVB). A nova normativa restringe a participação em torneios da categoria feminina exclusivamente a atletas com sexo biológico feminino.
Trajetória e histórico no voleibol nacional e internacional
Antes da nova diretriz da entidade, Tifanny havia conquistado o título do Campeonato Paulista com o Osasco, único torneio em que obteve liberação prévia. Na temporada passada, ela figurou como a única atleta transexual na disputa da Superliga Feminina. A jogadora completou sua transição de gênero e estreou na categoria em 2017, amparada por autorização da FIVB.
Aos 41 anos, a oposta acumulou passagens pelo voleibol italiano antes de retornar ao país para defender o Sesi-Bauru. Integrante do elenco do Osasco desde 2021, a atleta soma em seu currículo um troféu da Superliga, quatro Campeonatos Paulistas, um vice-campeonato sul-americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.
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