Da militância política ao Palácio do Planalto: a trajetória de Janja

Da militância política ao Palácio do Planalto: a trajetória de Janja

Rosângela Lula da Silva, amplamente conhecida como Janja, construiu uma trajetória que une a militância política histórica, a atuação técnica no setor elétrico e o protagonismo institucional como primeira-dama do Brasil. Nascida em União da Vitória, no Paraná, em 27 de agosto de 1966, a socióloga mudou-se ainda na infância para Curitiba, cidade onde consolidou sua formação acadêmica e o engajamento político que marcaria toda a sua vida profissional e pública.

Filha de José Clóvis da Silva e Vani Terezinha Ferreira, Janja deu seus primeiros passos na política partidária muito cedo. Em 1983, aos 17 anos, filiou-se formalmente ao Partido dos Trabalhadores (PT). Nesse período, integrou ativamente as mobilizações pela redemocratização do país e o icônico movimento Diretas Já, que exigia eleições presidenciais diretas após o fim da Ditadura Militar.

Formação acadêmica e atuação no setor elétrico

A trajetória profissional de Janja passou por importantes instituições públicas e estatais brasileiras. Em 1991, formou-se em ciências sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao longo dos anos seguintes, prestou serviços para órgãos públicos municipais de Curitiba, colaborou com projetos da Universidade Estadual de Ponta Grossa e atuou na liderança do PT na Assembleia Legislativa do Paraná.

No setor elétrico, sua carreira ganhou projeção a partir de 2003, quando começou a prestar serviços de consultoria à Itaipu Binacional. Dois anos mais tarde, passou a integrar formalmente o quadro de funcionários efetivos da usina hidrelétrica. Entre 2012 e 2016, foi cedida temporariamente à Eletrobras, retornando posteriormente para Itaipu, onde permaneceu até se aposentar no ano de 2019.

Relacionamento e casamento com Lula

O relacionamento entre Janja e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou em dezembro de 2017. Meses depois, em março de 2018, ela acompanhou o petista em uma caravana política que percorreu os estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Quando o chefe do Executivo foi preso em Curitiba, em abril daquele ano, a socióloga integrou a Vigília Lula Livre montada em frente à superintendência da Polícia Federal.

A identidade de Janja como companheira de Lula veio a público nacionalmente em novembro de 2019, após a soltura do ex-presidente. O casal mudou-se para São Bernardo do Campo e, em maio de 2022, oficializou a união em uma cerimônia realizada na capital paulista que reuniu figuras políticas, artistas e lideranças sociais.

Participação na campanha e novas diretrizes

Durante a campanha presidencial de 2022, Janja exerceu papel estratégico na articulação política e na comunicação digital da chapa petista. A socióloga atuou na aproximação com artistas e na interlocução com temas caros à sua trajetória, como os direitos das mulheres, a sustentabilidade, a diversidade e a proteção animal, prometendo desde o início ressignificar o papel tradicional atribuído às primeiras-damas.

Após a vitória eleitoral, coordenou os preparativos para a posse presidencial e integrou as equipes de transição governamental. Como primeira-dama, tem mantido uma agenda intensa em fóruns nacionais e internacionais, participando de debates sobre combate à fome, infância, conservação ambiental e representatividade em organismos globais como a Organização das Nações Unidas.

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