Urgências registram alta de atendimentos por infecções respiratórias em Portugal

Urgências registram alta de atendimentos por infecções respiratórias em Portugal

A procura por consultas de cuidados de saúde primários e por atendimentos em urgências hospitalares devido a problemas respiratórios e quadros gripais apresentou um crescimento recente em Portugal. O movimento também foi observado nos canais de atendimento remoto da Linha SNS 24, conforme apontam dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

As informações constam no relatório semanal “Resposta Sazonal em Saúde – Vigilância e Monitorização”. Os números refletem um momento de transição climática típico do início do outono, que tradicionalmente impulsiona a circulação de agentes virais respiratórios e eleva a demanda sobre as estruturas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Aumento na Linha SNS 24 e redirecionamento de pacientes

Durante a semana monitorada, entre 5 e 11 de outubro, a Linha SNS 24 contabilizou 73.135 atendimentos triados, o que representa uma elevação de 3,3% na comparação direta com o período imediatamente anterior. A triagem apontou saltos expressivos nos sintomas típicos de doenças sazonais.

Os chamados motivados por problemas respiratórios agudos subiram 19,6%, totalizando 12.658 contatos. No mesmo intervalo, os relatos de febre avançaram 10,3%, somando 888 atendimentos direcionados pela central telefônica.

Em relação ao destino dado aos usuários após a triagem, o relatório apontou as seguintes variações:

  • Serviços de urgência: 34.364 encaminhamentos (+4,2%);
  • Cuidados primários: 31.749 encaminhamentos (+3,3%);
  • Autocuidados recomendados: 5.261 casos (+2,7%);
  • Encaminhamentos ao INEM: 2.372 chamadas (-3,0%).

Pressão relativa sobre a rede hospitalar e centros de saúde

O relatório oficial da Direção-Geral da Saúde detalhou ainda que o volume global de consultas médicas nos centros de saúde sofreu uma redução de 19,7%, somando 554.689 atendimentos. Contudo, a proporção específica de consultas por infeção respiratória aguda subiu para 3,4% do total.

Cenário semelhante ocorreu nas unidades de urgência dos hospitais. O total absoluto de atendimentos caiu 1,5%, registrando 116.680 episódios. Apesar dessa ligeira retração geral, a fatia relativa aos quadros respiratórios agudos subiu para 6,4% de todos os casos recebidos.

A elevação da proporção de atendimentos de urgência por síndrome gripal concentrou-se de maneira mais visível em faixas etárias específicas: crianças de 5 a 9 anos (5,2%) e adultos entre 20 e 59 anos (46,3%). A autoridade de saúde destacou que o aumento começou de forma mais precoce do que em anos recentes, embora permaneça em níveis inferiores aos registrados no ciclo pré-pandemia de 2019-2020.

Internamentos e acompanhamento da vigilância epidemiológica

Na taxa geral de internações a partir das emergências, houve um leve recuo para 7,6%. Por outro lado, as internações causadas especificamente por complicações de síndrome gripal tiveram um ligeiro incremento, atingindo 3,1% dos casos admitidos nessas condições.

A taxa de mortalidade geral manteve-se nos parâmetros esperados para este período do ano no país. Ainda assim, a análise preliminar das certidões de óbito indicou uma tendência de alta na representação das doenças do sistema respiratório, que responderam por 10,3% dos óbitos analisados no período.

Em relação às medidas de proteção, o documento apontou que a cobertura vacinal entre idosos com 60 anos ou mais atingiu cerca de 7% para a covid-19 e 9% para a vacina contra a gripe. Sob a vigilância contínua do Programa Nacional da Gripe, a transmissão do vírus influenza manteve-se em nível esporádico, paralelamente à redução de novas notificações para infecções provocadas pelo vírus SARS-CoV-2.

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