Capital registrou alta de 20 por cento nos casos de violência doméstica em Maputo durante 2025

Capital registrou alta de 20 por cento nos casos de violência doméstica em Maputo durante 2025

A capital moçambicana registou um agravamento expressivo nos indicadores de violência em contexto familiar ao longo do último ano. O número total de vítimas na cidade de Maputo subiu 20,3% em 2025, alcançando um total de 2.025 casos reportados pelas autoridades locais.

Os dados constam de um levantamento oficial divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que compara o cenário com o período anterior, quando foram contabilizadas 1.683 ocorrências. Do total de pessoas afetadas no ano passado, a grande maioria, correspondente a 72,3%, é composta por mulheres.

Crescimento nos registros criminais e perfis das ocorrências

O relatório detalha que as ocorrências agregam tanto a natureza criminal quanto a cível. Entre agressões físicas, episódios de violência psicológica e patrimonial, os casos estritamente criminais subiram 7,8%, passando de 1.344 em 2024 para 1.449 em 2025. Deste total, 1.207 situações envolveram vítimas do sexo feminino.

Analisando especificamente a violência doméstica pura, o indicador apresentou uma leve alta de 0,4%, indo de 983 para 987 registros oficiais. Nesse grupo, as mulheres continuam a ser o principal alvo da violência, somando 837 casos, enquanto os homens totalizaram 150 ocorrências notificadas pelos serviços competentes.

Tipos de agressão e distribuição pelos distritos municipais

Embora a violência física simples permaneça como a forma mais frequente de agressão doméstica na capital, houve um recuo desse subtipo específico, que caiu de 524 para 480 registros. Em contrapartida, outras vertentes de abuso ganharam espaço nos relatórios oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Foram registradas altas nos episódios de violência psicológica, que saltaram de 300 para 317 casos, e nos casos de violência patrimonial, que subiram de 78 para 97. A violência física grave também apresentou alta, passando de 67 para 81 ocorrências mapeadas na mancha urbana.

Geograficamente, o distrito municipal de KaMavota destacou-se com o maior volume de casos na cidade, somando 295 ocorrências contra 216 do período anterior, concentrando mais de um terço do total da capital. Em sentido oposto, a região de KaMaxakeni registrou uma queda expressiva, descendo de 249 para 185 registros contabilizados.

Alerta máximo para crimes contra a liberdade sexual

Um dos pontos mais críticos apontados pelo documento oficial diz respeito ao avanço acentuado dos crimes contra a liberdade sexual. O indicador disparou cerca de 39% na cidade de Maputo, atingindo um total de 178 ocorrências ao longo de 2025.

O dado mais alarmante recae sobre a vulnerabilidade infantojuvenil: mais de 86% das vítimas eram crianças e 98,9% dos casos afetaram diretamente pessoas do sexo feminino. As tipificações mais recorrentes envolveram atos sexuais diversos com menores, seguidos por interações com menores de 12 anos e episódios de violação.

Enquanto a área criminal registrou estas pressões, os processos de natureza cível apresentaram uma redução de 22,5%, caindo de 338 para 262 casos. O documento aponta ainda que nenhum caso de união prematura foi oficialmente reportado na cidade de Maputo no período analisado, que contava com uma população estimada em 1.139.476 habitantes.

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