Caças franceses interceptam e forçam aterragem de voo comercial após ameaça

Caças franceses interceptam e forçam aterragem de voo comercial após ameaça

Dois caças franceses obrigaram na quinta-feira, 5 de novembro, um avião comercial da companhia aérea irlandesa Air Lingus a aterrar numa base aérea em território francês. A aeronave realizava a rota entre Dublin e Roma e foi desviada devido a uma ameaça de bomba, gerando tensão no espaço aéreo europeu após a recusa inicial do piloto em seguir para instalações militares.

O episódio mobilizou autoridades de defesa e abriu investigações judiciais sobre a conduta do comandante, inserindo-se numa vaga mais ampla de alertas falsos registados em diversos países da Europa.

Interceção militar e desvio para base em Évreux

O aparelho envolvido, um Airbus A320, foi intercetado por um caça Mirage 2000-5 e um Rafale depois de o piloto, de nacionalidade irlandesa, ter manifestado resistência em cumprir as ordens de aterragem na base militar de Évreux, situada no noroeste de França. Em vez disso, o comandante solicitou o encaminhamento para aeroportos civis, mencionando opções como Beauvais ou Nantes.

A decisão de enviar os caças militares partiu diretamente do gabinete do primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, diante da atitude de falta de cooperação demonstrada pelo piloto. Na sequência da aterragem forçada, o Ministério Público de Évreux abriu três inquéritos independentes para apurar se a recusa inicial constituiu uma infração ao Código de Transporte Aéreo francês.

Vaga de falsas ameaças afeta aviação europeia

O incidente com o voo da Air Lingus ocorreu num contexto de dezenas de alertas de bomba que afetaram mais de 15 voos e aeroportos em vários países, incluindo França, Itália, Bélgica, Bulgária, República Checa, Áustria, Polónia, Dinamarca e Grécia. Entre as ligações afetadas esteve um voo entre o Porto e Milão, além de uma rota que ligava Lisboa a Roma, ambos alvos de falsos alarmes reportados pela agência italiana ANSA.

Em paralelo, a companhia Ryanair registou problemas em três voos com partida de Madrid, Londres e Copenhaga com destino à Bulgária, todos escoltados por aviões militares até aterrarem em segurança. Outras companhias como a Finnair, WizzAir, LOT e Aegean enfrentaram situações semelhantes em rotas pela Europa central e oriental, com inspeções que confirmaram a ausência de engenhos explosivos.

Origem dos alertas e investigações em curso

As autoridades apuraram que os incidentes em aeroportos italianos coincidiram com o envio de mensagens eletrónicas por parte de uma célula extremista russa. Os emails continham ameaças explícitas contra seis voos e vinham assinados por combatentes do movimento ultranacionalista e misógino Male State, fundado por Vladislav Pozdnyakov e formalmente proibido na Rússia.

Apesar da gravidade das ameaças e da mobilização de forças de segurança, equipas de desativação de explosivos e polícias locais em vários países confirmaram que se tratavam de alarmes falsos. O episódio reforça os protocolos de vigilância no setor aeronáutico internacional, enquanto o Mais 1 Portugal continuará a acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas relevantes da atualidade europeia.

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