Chega aponta ativismo político ao Tribunal Constitucional após veto sobre nacionalidade

Chega aponta ativismo político ao Tribunal Constitucional após veto sobre nacionalidade

Críticas ao Tribunal Constitucional marcam jornadas parlamentares

O partido Chega manifestou, nesta terça-feira, 19 de maio, uma posição de forte contestação ao Tribunal Constitucional (TC), acusando o órgão de exercer um “ativismo político” que, segundo a legenda, desrespeita a separação de poderes em Portugal. As declarações foram proferidas durante as jornadas parlamentares do partido, realizadas em Viseu, com foco central na revisão constitucional.

A controvérsia gira em torno da recente declaração de inconstitucionalidade, por parte do TC, de um decreto parlamentar que pretendia instituir a perda de nacionalidade como sanção acessória para a prática de determinados crimes. Para a bancada do Chega, a decisão ignora a vontade expressa pela Assembleia da República.

A questão da maioria parlamentar e a soberania legislativa

A deputada Cristina Rodrigues, vice-presidente do Grupo Parlamentar do Chega, enfatizou que o projeto legislativo em causa havia sido aprovado com uma maioria de dois terços dos votos. Segundo a parlamentar, essa “maioria absolutamente reforçada” deveria ter sido considerada pelo tribunal como um reflexo direto da vontade democrática dos cidadãos.

“Não estamos a dizer que o TC tem que aceitar uma lei que seja inconstitucional, mas deve respeitar a separação de poderes”, afirmou Cristina Rodrigues. A deputada argumentou que a Constituição tem sido utilizada como uma “ferramenta de bloqueio” para impedir o avanço de propostas legislativas que possuem amplo apoio parlamentar.

O embate sobre a interpretação constitucional

A argumentação do Chega baseia-se na premissa de que a Lei Fundamental já estabelece distinções entre nacionalidade originária e adquirida em outros contextos, como na elegibilidade para o cargo de Presidente da República. Para a dirigente, se a Constituição permite tal diferenciação em certos casos, não haveria impedimento para que fosse aplicada como sanção acessória em cenários criminais específicos.

Além disso, o partido criticou a leitura feita pelos juízes sobre a gravidade da sanção. Cristina Rodrigues sustentou que o tribunal, ao classificar a perda de nacionalidade como uma medida excessiva, acaba por enviar uma “mensagem subliminar” de que a manutenção do vínculo administrativo seria mais relevante do que a punição de crimes graves, como homicídios ou agressões.

Repercussão e o papel do tribunal como força de bloqueio

A deputada Vanessa Barata, coordenadora do Chega na Comissão de Assuntos Constitucionais, reforçou as críticas, classificando o tribunal como uma “força de bloqueio à vontade do legislador”. A narrativa do partido sugere uma desconexão entre a composição atual do TC e a nova configuração política da Assembleia da República, alegando que correntes ideológicas de esquerda ainda manteriam influência preponderante nas instâncias judiciais.

O debate sobre a inconstitucionalidade da perda de nacionalidade continua a ser um ponto de fricção entre o poder legislativo e a fiscalização constitucional. O Mais 1 Portugal segue acompanhando os desdobramentos deste embate institucional, trazendo análises aprofundadas sobre os impactos das decisões judiciais na vida política e jurídica do país. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que definem a atualidade nacional.

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