A defesa do empresário Henrique Moura Vorcaro apresentou um novo relatório médico ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar o pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar. O documento médico aponta um histórico clínico delicado, incluindo crises recorrentes de diverticulite e indicações cirúrgicas anteriores que acabaram não sendo realizadas. Detido desde o mês de maio, o investigado também enfrenta diagnósticos relacionados a comorbidades cardiovasculares e neurológicas, segundo os representantes legais responsáveis pelo caso.
O direcionamento da petição foi feito ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Os advogados argumentam que pleitos semelhantes de revisão da custódia vêm sendo protocolados desde o início do período de reclusão, mas sustentam que ainda não obtiveram a apreciação definitiva das instâncias competentes sobre a urgência humanitária alegada.
Relatório médico aponta risco de complicação intestinal
O documento anexado aos autos foi elaborado pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, profissional que acompanhou o paciente entre os anos de 2005 e 2023. O especialista detalhou que o empresário acumula registros de internações decorrentes de quadros agudos de diverticulite, com episódios repetitivos que chegaram a superar a marca de duas ocorrências anuais em determinados períodos.
Algumas dessas crises apresentaram resistência aos tratamentos convencionais, provocando quadros álgicos persistentes na região abdominal. Esse cenário clínico motivou a indicação prévia de uma colectomia laparoscópica, procedimento cirúrgico voltado para a ressecção parcial do intestino grosso que permaneceu sem execução prática.
Diante do quadro atual, o médico emitiu alerta sobre a probabilidade de perfuração intestinal, apontada como uma intercorrência de alta gravidade associada à patologia. De acordo com o profissional, a situação demanda diagnóstico imediato e intervenção cirúrgica na maior parte dos casos para evitar danos irreversíveis à saúde do paciente.
Histórico de crises e atendimento médico durante a reclusão
Com idade próxima aos 65 anos, o empresário também lida com hipertensão arterial e outras condições sistêmicas que exigem administração contínua de fármacos. O histórico recente inclui uma internação após um episódio de amnésia registrado em março, além de suporte de urgência buscado no mês de abril.
O andamento da prisão registrou novos episódios de agravamento clínico ao longo do segundo semestre, com manifestações de diverticulite em agosto e relatos de dores intensas acompanhadas de oscilações na pressão arterial em setembro. A equipe jurídica aponta que o ambiente carcerário carece de estrutura adequada para o manejo médico necessário, reforçando a tese de que a manutenção da custódia representa risco iminente à vida.
Contestação jurídica e desdobramentos da investigação
Além das questões de saúde, a defesa questiona a validade dos fundamentos que sustentam a medida cautelar extrema. Os advogados afirmam que a detenção carece de atualidade e sustentam que a medida foi decretada a partir de interpretações isoladas de diálogos vinculados a empreendimentos imobiliários.
As investigações que motivaram a ordem de prisão foram conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades associadas ao Banco Master e à gestão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa nega qualquer tentativa de coerção a testemunhas e reitera que os documentos anexados ao processo afastam as suspeitas iniciais apontadas pelo órgão acusador, aguardando agora a manifestação da Corte sobre o recurso protocolado em julho.
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