Desempenho financeiro e desafios do setor
A Jerónimo Martins, gigante do setor de distribuição alimentar e proprietária de redes como Pingo Doce, Biedronka e Ara, reportou uma queda de 6,8% em seu lucro líquido nos primeiros três meses de 2026. O resultado, que totalizou 119 milhões de euros, foi divulgado nesta quarta-feira, 6 de maio, em comunicado oficial enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A companhia atribuiu o recuo nos ganhos a fatores técnicos contábeis, especificamente aos efeitos das taxas de juros e variações cambiais decorrentes da capitalização de rendas, conforme estipulado pela norma internacional de contabilidade IFRS16. Apesar da retração no lucro, o desempenho operacional da empresa apresentou resiliência em outros indicadores fundamentais.
Crescimento nas vendas e margem operacional
O volume de vendas da Jerónimo Martins registrou um avanço de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo a marca de 8,8 mil milhões de euros. Esse crescimento foi impulsionado, em parte, pelo calendário da Páscoa, que ocorreu no início de abril, antecipando o consumo e favorecendo os resultados comerciais observados ao longo do mês de março.
O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações, conhecido como EBITDA, apresentou um crescimento de 8,4%, totalizando 572 milhões de euros. A margem EBITDA fixou-se em 6,4%, representando um ganho de 13 pontos base em relação ao primeiro trimestre de 2025, o que demonstra a capacidade da empresa em manter a eficiência operacional mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso.
Incertezas geopolíticas e pressão nos custos
O presidente e administrador delegado da companhia, Pedro Soares dos Santos, destacou que o início de 2026 foi marcado por um agravamento do contexto geopolítico global. Segundo o executivo, a escalada de tensões no Médio Oriente gerou um aumento significativo nos níveis de incerteza, influenciando diretamente o comportamento do consumidor e a estrutura de custos da cadeia de suprimentos.
A volatilidade no preço do petróleo tem gerado efeitos imediatos nos custos de combustíveis e logística. Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes preocupa a gestão, pois introduz uma pressão adicional sobre o próximo ciclo de produção alimentar. Estes fatores compõem um cenário desafiador para a manutenção das margens de lucro nos próximos trimestres, exigindo monitoramento constante por parte dos investidores e do mercado.
Compromisso com a informação
O setor de varejo alimentar continua sendo um termômetro essencial da economia real, refletindo as mudanças no poder de compra e nos custos de produção. Para acompanhar os próximos desdobramentos financeiros da Jerónimo Martins e outras movimentações relevantes do mercado, continue lendo o Mais 1 Portugal. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, atualizada e com o rigor jornalístico que o seu dia a dia exige.