O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, acaba de reforçar a sua oferta cultural com a abertura de um novo núcleo da exposição Turn Around. Um olhar sobre a Coleção Fundação EDP. A partir desta quarta-feira, 29 de abril, o espaço passa a integrar mais de 60 obras adicionais, consolidando um percurso que abrange desde a década de 1960 até à atualidade. Esta atualização expande a mostra que teve o seu início em 11 de fevereiro, elevando o conjunto para cerca de 90 peças assinadas por 58 artistas distintos.
A relevância de um acervo em constante diálogo
A Coleção da Fundação EDP, que conta com mais de 2450 obras, funciona como um espelho da evolução da criação artística em Portugal nas últimas duas décadas e meia. Segundo João Pinharanda, diretor do MAAT e um dos curadores da exposição ao lado de Margarida Almeida Chantre e Sérgio Mah, a exibição destas peças não é apenas uma escolha curatorial, mas uma resposta direta a um público que “reclama” pelo acesso a este património.
A seleção reflete a estratégia de programação da instituição, que prioriza a aquisição de trabalhos de artistas que já passaram pelas suas galerias ou que foram distinguidos em prémios de referência, como o Prémio Novos Artistas Fundação EDP ou o Grande Prémio Fundação EDP Arte, recentemente conquistado por João Penalva. Este compromisso garante que o acervo se mantenha vivo e conectado às dinâmicas contemporâneas do setor.
Um percurso entre a bidimensionalidade e a escultura
Nesta segunda fase da mostra, o visitante é recebido por uma curadoria que privilegia a pintura e a fotografia, conferindo ao espaço uma atmosfera mais “bidimensional” do que na etapa anterior. O percurso inicia-se com a escultura Duplo Objeto, de Manuel Batista, e a série Condição Humana (2005), de Jorge Molder. A disposição das obras, segundo Margarida Almeida Chantre, convida o espectador a uma reflexão sobre a presença do corpo e a percepção do espaço, conceito central que dá título à exposição.
O roteiro inclui nomes fundamentais da arte portuguesa, como Rui Chafes, com a peça Würzburg Bolten Landin IV (1993), e Luís Noronha da Costa. A narrativa expositiva avança por salas que cruzam gerações, reunindo trabalhos de Julião Sarmento, Eduardo Batarda e Rui Sanches. Este último, presente na visita de imprensa, comentou a sua obra Infinitos (1994), descrevendo-a como um momento atípico na sua trajetória, onde o uso de espelhos e a disposição de esferas de borracha procuram desmaterializar o volume da peça.
Memória e futuro na arte contemporânea
A exposição não se limita a revisitar o passado, estabelecendo pontes com a produção mais recente. O público pode encontrar obras de artistas como Sara Chang Yan, finalista do Prémio Novos Artistas Fundação EDP de 2024, ao lado de nomes consagrados como Helena Almeida, Fernanda Fragateiro e José Pedro Croft. A diversidade de suportes é notável, incluindo o vídeo de oito minutos de João Onofre, que documenta um veleiro a navegar sobre os telhados de Lisboa.
O encerramento da mostra, marcado pelo quadro Vanitas (segundo Pieter Claesz), de José Almeida Pereira, fecha o ciclo temático sobre o corpo e a finitude. A exposição permanece patente ao público até 11 de janeiro de 2027, oferecendo uma oportunidade única de revisitar a história da arte nacional através de um dos acervos mais dinâmicos do país. Para mais detalhes, consulte a página oficial do MAAT.
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