Novo modelo de apoio domiciliário SAD+Saúde arranca em Portugal

Novo modelo de apoio domiciliário SAD+Saúde arranca em Portugal

Um novo paradigma no cuidado aos dependentes

Começou esta segunda-feira a implementação do SAD+Saúde, um projeto-piloto que marca uma mudança estratégica na forma como o Estado português encara o apoio a pessoas em situação de dependência, deficiência ou incapacidade. A iniciativa, que resulta de uma colaboração inédita entre o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), visa garantir que o cuidado chegue diretamente às casas dos utentes, evitando a institucionalização precoce.

A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho destacou, durante a cerimónia de assinatura dos protocolos em Lisboa, que a flexibilidade é o pilar central desta medida. Segundo a governante, o sistema foi desenhado para responder a necessidades específicas e variáveis, reconhecendo que cada utente possui exigências distintas que não podem ser padronizadas.

Abrangência nacional e instituições parceiras

O projeto arranca com uma presença capilarizada por todo o território nacional, envolvendo cinco Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) pioneiras. A seleção das entidades seguiu critérios rigorosos, garantindo que cada região do país conte com um ponto de apoio especializado:

  • Associação de Solidariedade de S. Pedro (Região Norte)
  • Santa Casa da Misericórdia de Arganil (Região Centro)
  • Fundação AFID Diferenças (Lisboa e Vale do Tejo)
  • Santa Casa da Misericórdia de Mora (Alentejo)
  • Santa Casa da Misericórdia de Portimão (Algarve)

Embora o projeto tenha recebido 56 candidaturas, a fase inicial optou por uma dimensão controlada para assegurar a qualidade do serviço prestado. As instituições selecionadas assumiram obrigações abrangentes, que vão desde a enfermagem e proteção social até ao apoio psicossocial.

Serviços integrados e funcionamento 24 horas

O SAD+Saúde diferencia-se dos modelos tradicionais pela sua capacidade de resposta contínua. As equipas são compostas por profissionais com formação superior nas áreas das ciências sociais, comportamento e saúde, garantindo um acompanhamento técnico de elevado nível.

Entre as valências oferecidas, destacam-se o fornecimento de refeições, cuidados de higiene, tratamento de roupa, limpeza doméstica e auxílio na gestão da medicação. Além disso, o serviço contempla o acompanhamento em deslocações externas, como idas a farmácias ou supermercados, assegurando que o utente mantenha a sua autonomia dentro do possível. A assistência funciona em horário alargado, incluindo fins de semana e feriados, com disponibilidade de 24 horas por dia.

Monitorização e futuro do projeto

Apesar de ter uma duração prevista de um ano, o governo já estabeleceu um cronograma de avaliação. Em novembro, será realizada uma análise detalhada sobre o desempenho das cinco unidades piloto. A ministra reforçou que, se os resultados forem positivos, a expansão para outras IPSS será uma prioridade, dado que a procura por este tipo de apoio é elevada.

A medida permite ainda que os utentes acumulem o SAD+Saúde com outras respostas sociais não residenciais, como centros de dia. Para garantir a transparência e a eficácia, a atividade será monitorizada por uma Comissão de Acompanhamento e Avaliação. Para mais informações sobre políticas sociais e atualidades, continue a acompanhar o Mais 1 Portugal, o seu portal de referência para informação relevante e de qualidade no país.

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