Diogo Infante encarna o professor inspirador na estreia de Clube dos Poetas Mortos em Lisboa

Diogo Infante encarna o professor inspirador na estreia de Clube dos Poetas Mortos em Lisboa

O regresso de uma obra imortal ao palco do Teatro da Trindade

O grito de “Capitão, meu capitão” ecoa novamente, desta vez não apenas nas memórias dos cinéfilos, mas no coração de Lisboa. A partir desta quinta-feira, 30 de abril, o Teatro da Trindade recebe a adaptação teatral de Clube dos Poetas Mortos, a icónica obra de Tom Schulman. Com encenação de Hélder Gamboa, o espetáculo traz Diogo Infante no papel do inesquecível professor John Keating, um mentor que desafia as convenções e convida os seus alunos a verem o mundo sob uma nova perspetiva.

A narrativa transporta o público para o ano de 1959, no rigoroso Colégio Welton, nos Estados Unidos. É neste ambiente de disciplina férrea e expectativas familiares que um grupo de jovens descobre a poesia, a liberdade de pensamento e o peso das consequências de desafiar o sistema. A peça, que já passou por palcos em cidades como Paris e nos Estados Unidos, chega a Portugal com uma carga emocional renovada, mantendo viva a essência da história que marcou gerações.

A busca pela voz própria e o desafio ao conformismo

No centro do palco, a personagem de Diogo Infante atua como um catalisador de mudança. Ao incentivar os alunos a subirem para cima das mesas para alterarem o seu ponto de vista, ou ao exigir que arranquem páginas de manuais que tentam medir a arte através de gráficos, John Keating promove o pensamento crítico. O professor não ensina apenas literatura; ele ensina os jovens a trilharem o seu próprio caminho e a não se deixarem moldar pela austeridade imposta pelo diretor do colégio, interpretado por Virgílio Castelo.

O encenador Hélder Gamboa destaca que o texto continua a ser profundamente comovente, servindo como um espelho para quem, como ele, desejou ter tido um mentor como Keating durante o seu percurso académico. A cenografia, que integra uma biblioteca imponente e até a recriação da gruta secreta onde o clube se reúne, procura oferecer uma experiência imersiva, conectando o público à urgência de viver intensamente, tal como sugerido pelos versos de Henry David Thoreau e pelo lema carpe diem.

Um fenómeno de bilheteira em tempos digitais

A expectativa em torno da estreia é elevada, não apenas pela nostalgia que o filme de 1989 desperta, mas pela relevância atual dos temas abordados. Com 28 mil bilhetes já vendidos para a primeira temporada, que se estende até 2 de agosto, a produção já abriu as vendas para setembro. A permanência em cena está prevista até 20 de dezembro, com planos de circulação por outros palcos nos próximos dois anos.

Para Diogo Infante, a adesão massiva do público reflete uma necessidade latente de contacto humano e físico numa era cada vez mais dominada pelo digital. O ator sublinha que a mensagem da peça é vital num momento de incertezas globais, onde a individualidade e as conquistas de direitos enfrentam novos desafios. A presença do próprio autor da obra original, Tom Schulman, na estreia em Lisboa, adiciona um nível extra de emoção e responsabilidade ao elenco.

O Mais 1 Portugal continuará a acompanhar de perto as grandes estreias culturais que marcam o panorama artístico nacional. Convidamos os nossos leitores a permanecerem atentos às próximas reportagens, onde traremos análises, críticas e entrevistas exclusivas sobre o que de melhor se faz na cultura, no entretenimento e na atualidade, mantendo sempre o compromisso com uma informação rigorosa e de qualidade.

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